O rastro da tragédia

O rastro da tragédia

O estado americano da Flórida desperta com as imagens da destruição provocada pela passagem da tempestade, que se enfraqueceu e toma o rumo da vizinha Geórgia. Miami respira aliviada e tenta retomar a rotina, começando pelo restabelecimento dos serviços públicos

» Jorge Vasconcellos Especial para o Correio
postado em 12/09/2017 00:00
 (foto: Joe Raedle/AFP
)
(foto: Joe Raedle/AFP )

A Flórida amanheceu ontem diante dos estragos causados no domingo pela chegada do poderoso furacão Irma, que deve atingir hoje o vizinho estado norte-americano da Geórgia, porém rebaixado à categoria de tempestade tropical. Com o registro de quatro mortes, 6,2 milhões de residências sem energia elétrica e 6,3 milhões de pessoas sujeitas a ordens de retirada, a região começa a calcular os prejuízos e a organizar a reconstrução de moradias e instalações de infraestrutura. Em sua trajetória pelo Oceano Atlântico, rumo aos Estados Unidos, Irma causou ao menos 38 mortes, inundações e devastações no Caribe, atingindo Cuba, Haiti, Porto Rico e pequenas ilhas, como St. Martin.

Miami acordou com árvores e galhos caídos, semáforos inoperantes, ruas e estradas fechadas e barcos afundados ou arrastados para terra firme. Os moradores, no entanto, estavam aliviados com o fato de que a tempestade que engoliu o distrito financeiro no centro da cidade não tenha causado os danos catastróficos previstos. Equipes de limpeza começaram a trabalhar ao amanhecer para tirar das ruas escombros de edificações, postes, placas de trânsito e outros detritos que ficaram aparentes logo que a enchente recuou.

O bairro de Brickell, distrito financeiro de frente para o mar, ficou coberto pelas águas, que ultrapassaram os diques e invadiram quarteirões inteiros. A costa de Miami, assim como suas ilhas, é propensa a inundações significativas, mesmo com chuvas de menor intensidade, um problema endêmico da zona devido à falta de elevação e ao aumento do nível do mar. Moradores que se negaram a deixar suas casas passeavam pelas ruas e avaliavam os danos com curiosidade e algum alívio.

Perdendo força

Na madrugada de domingo, ao se aproximar das Florida Keys (ilhotas), no extremo sul do estado, Irma era um furacão de categoria 4, com rajadas de até 215km/h. Horas depois, foi rebaixado à categoria 3 e depois à 2, com rajadas de até 177 km/h. Na semana passada, quando provocou mortes e devastações no Caribe, estava na categoria máxima 5, com ventos de 295km/h, e foi considerado o furacão mais poderoso já registrado no Oceano Atlântico. Ontem, a previsão da NHC era de que ele continuasse perdendo força .

O empresário Bob Lutz, de 62 anos, disse que os danos poderiam ser muito maiores se o furacão não tivesse sido rebaixado de categoria. ;Nós não teríamos eletricidade por semanas, mas já a recuperamos nesta manhã;, relatou à agência de notícias France-Presse. ;Assim, todos estamos aliviados por não ter acontecido nada grave;, acrescentou, aliviado por não deixado seu apartamento. ;Se tivéssemos saído, teríamos ido para Tampa ou Naples, e isso teria nos colocado no olho da tempestade.;

O Aeroporto Internacional de Miami, o mais importante da Flórida e principal porta de saída de voos dos EUA rumo à América Latina, permaneceu fechado, devido aos danos causados pelo furacão, informou seu diretor, Emilio T. González. O complexo acolheu mais de 600 pessoas que não encontraram quartos de hotel. Espera-se que hoje comecem a ser retomadas as atividades, com voos limitados.

A perda de força de Irma coincide com o deslocamento de outro furacão, o José, que segue pelo Oceano Atlântico, mas pode mudar de curso e alcançar regiões povoadas do Caribe e dos Estados Unidos, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês).O órgão, sediado na Flórida, informou que, em um primeiro momento, o furacão não atingiu as Pequenas Antilhas, localizadas pouco ao norte do litoral da Venezuela, mas o rastro analisado por meteorologistas indica que ele poderia fazer um giro e se dirigir para as Bahamas. Nessa trajetória, poderia depois atingir a Flórida.

6,5 milhões

Total de residências sem eletricidade no estado americano da Flórida


6,3 milhões

Total de moradores da Flórida que tiveram ordem de retirada

215 km/h

Velocidade dos ventos de Irma ao
tocar terra nos EUA, no domingo

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação