Mercado otimista com o país

Mercado otimista com o país

Bolsa renova máxima histórica e encerra pregão com alta de 0,13%, e dólar cai pelo segundo dia consecutivo e fecha cotado a R$ 3,238. Especialistas explicam que bons resultados da economia em 2017 impulsionam investimentos

» Anna Russi*
postado em 04/01/2018 00:00
 (foto: 
Spencer Platt/Getty Images/AFP
)
(foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP )


No terceiro pregão do ano, os investidores mantiveram o otimismo. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), renovou a máxima histórica, fechando aos 77.995 pontos, com alta de 0,13%, e o dólar caiu pelo segundo dia seguido. Encerrou o dia cotado a R$ 3,238, com queda de 0,67%. Para especialistas, o movimento está relacionado aos bons indicadores da economia.

O resultado na Bolsa só não foi melhor ; chegou a avançar 0,67%, ultrapassando os 78 mil pontos ; porque, no fim do dia, os investidores reagiram à divulgação da ata do Fomc ; comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos. Consideraram o documento mais radical do que o esperado sobre a alta de juros no país. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones também encerrou o pregão em alta de 0,28%.

Para o estrategista-chefe da Bullmark, Renan Silva, o bom humor do mercado está relacionado a eventos internos. A balança comercial, que registrou saldo recorde de US$ 67 bilhões; a perspectiva de que o rombo fiscal de 2017 fique em US$ 129 bilhões ; abaixo dos US$ 159 bilhões previstos pela meta ;; a previsão de inflação de 2,78%, e a projeção de crescimento de 1% para PIB são fatores que, na visão de Silva, deixaram os investidores otimistas na entrada de 2018. ;A gente percebe que o mercado viu com bons olhos, e está lidando com o início do ano como uma espécie de recomeço;, comentou.

Como reflexo do caminho positivo que a economia brasileira toma, o CDS (Credit Defaullt Swap) ; que funciona como um seguro contra calote ; do Brasil fechou em baixa de 2,36% com 152,7 pontos. Em queda há oito dias consecutivos, registrou o menor valor desde 27 de novembro de 2014.

Na B3, os contratos mais negociados de juros futuros também fecharam em baixa. Os com vencimento em abril de 2018 caíram de 6,735% para 6,725%. Os com prazo para janeiro de 2019 tiveram queda de 6,805% para 6,800%.
O Santander apontou, em relatório, que o consumo das famílias brasileiras tem espaço para crescer mais de 5% neste ano, aquecendo a economia. Tiago Lacerda, estrategista da Aprenda Investimentos, explicou que os gastos já aumentaram e têm como consequência mover a economia de maneira rápida e mais lucrativa. ;Sempre que isso ocorre, a demanda dos investidores por ações aumenta e a reação do mercado é positiva, logo, podemos dizer que é um sintoma natural de uma economia que esboça crescimento e vislumbra uma virada de mesa após um período longo de crise;, afirmou.

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

BC ganha com câmbio
Após proporcionar um ganho de R$ 75,562 bilhões ao Banco Central (BC), em 20156, as operações de swap cambial apresentaram resultado bem menor no ano passado. Dados divulgados ontem mostram que a autarquia teve lucro de R$ 7,033 bilhões no ano passado nessas operações, pelas quais o BC buscam reduzir a volatilidade do mercado de câmbio e oferecer proteção às instituições financeiras contra oscilações bruscas do dólar.

Nas operações de swap cambial, o BC ganha quando o dólar cai e perde quando a moeda norte-americana sobe perante o real. O resultado de 2017 é consequência da valorização de apenas 1,94% da divisa no ano. O BC informou ainda que teve resultado negativo de R$ 52,7 bilhões, no ano passado, com a administração das reservas cambiais do país.


Fluxo real fica positivo em 2017
O Brasil recebeu mais dólares do que enviou para fora em 2017. De acordo com dados do Banco Central, divulgados ontem, o saldo ficou positivo em US$ 625 milhões no ano passado. Ao todo entraram no país US$ 678,336 bilhões e saíram US$ 677,711 bilhões.

O fluxo é medido considerando transações comerciais (como exportações e importações) e financeiras. Na balança comercial, as exportações totalizaram US$ 195,612 bilhões, enquanto a saída foi de US$ 142,688 bilhões, resultando em um superavit de US$ 52,924 bilhões, o melhor resultado anual desde 2007, quando o superavit ficou em US$ 76,746 bilhões.

Nas transações envolvendo papel-moeda, o desempenho foi o inverso, com compras de US$ 482,724 bilhões e vendas de US$ 535,023 bilhões, produzindo um deficit de US$ 52,299 bilhões, o maior rombo anual da série histórica do BC, que vai até 1982.

;O superavit recorde em 2017 se deve ao aumento das exportações e das importações durante o ano. O saldo aferido em 2016 foi resultado de uma queda nas importações de 20% e também das exportações de 3,5%, em relação a 2015. Agora temos uma retomada real da economia e sobretudo no comércio exterior brasileiro;, disse o agora ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, durante a divulgação do resultado da balança comercial brasileira, na terça-feira.

Mas se o saldo foi positivo no ano, em dezembro fechou no vermelho. O fluxo cambial do mês passado ficou deficitário em US$ 9,331 bilhões. Foi o segundo mês consecutivo em que o Brasil enviou mais dólares para o exterior do que recebeu. A conta financeira fechou negativa em US$ 15,604 bilhões, o maior do ano ; dezembro é tradicionalmente mais forte em remessas de empresas. Já a conta comercial registrou superavit de US$ 6,273 bilhões.

A série histórica de 2014 a 2017 mostra um movimento irregular do fluxo cambial . Em 2016, houve deficit de US$ 4,252 bilhões. Em 2015, foi registrado superavit de US$ 9,414 bilhões e, em 2014, resultado negativo, dessa vez de US$ 9,287 bilhões.

US$ 625 milhões

saldo de entradas e saídas
de dólares do país
no ano passado

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