Tombo da indústria arrasta o PIB

Tombo da indústria arrasta o PIB

Redução de 10,9% na produção das fábricas em maio, devido à greve dos caminhoneiros, aumenta expectativa de resultado negativo da economia no segundo trimestre. Analistas diminuem também projeções para o resultado de 2018

» HAMILTON FERRARI
postado em 05/07/2018 00:00
 (foto: Fernando Calmon/EM/D.A Press - 28/12/16)
(foto: Fernando Calmon/EM/D.A Press - 28/12/16)


A produção industrial despencou 10,9% em maio devido à greve dos caminhoneiros. Dos 26 segmentos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24 apresentaram retração. O de bens de consumo duráveis tombou 27,4%, impactado pela produção menor de veículos, o que levou à maior queda da categoria desde o início da série histórica. Com esses índices, ganha força entre os economistas a expectativa de um Produto Interno Bruto (PIB) negativo no segundo trimestre, diminuindo ainda mais as projeções para o crescimento econômico de 2018.

O choque provocado pela greve diminuiu o patamar de produção da indústria para perto do nível de dezembro de 2003. O acumulado do ano, que estava com ganho de 4,5% até abril, caiu para 2%, em maio. Num período de 12 meses, a alta da produção recuou de 3,9% para 3%.

Para Marcelo Azevedo, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a intensidade da queda em maio foi muito grande, piorando o cenário de faturamento e ociosidade das empresas. ;Depois dos resultados negativos no primeiro trimestre, os dados melhoraram em abril, criando expectativas positivas. Mas, veio esse choque que, tudo indica, deve se estender para outros meses;, ressaltou.

O desânimo dos empresários, segundo Azevedo, é retratado na piora dos índices de confiança e no menor otimismo em relação à demanda futura. ;Há também o problema sobre o tabelamento do frete dos caminhoneiros, que ainda não foi resolvido e gera ainda mais incertezas;, disse.

Álvaro Bandeira, economista-chefe e sócio da Modalmais, ressaltou que os dados negativos da indústria se somam a outros índices pouco animadores. Por isso, segundo ele, o PIB do segundo trimestre deve apresentar retração. ;Com exceção da balança comercial e da conta-corrente, todos os indicadores estão fracos: indústria, serviços, varejo. A inflação está subindo, com pressões da energia elétrica e do dólar, o que deve levar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros em dezembro;, destacou.

Luana Miranda, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), é mais otimista e estima que o PIB do segundo trimestre suba 0,3%, um número que, de qualquer modo, mostraria economia perdendo fôlego, já que o primeiro trimestre marcou alta de 0,4%. ;O resultado de maio foi atípico, e não temos ainda como estabelecer uma relação de peso ou magnitude de quanto ainda vai afetar a economia nos próximos meses;, disse.

Seja como for, para o resultado de 2018, a expectativa dos analistas é de piora. De acordo com as projeções de mercado coletadas pelo Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), o PIB deve avançar 1,55% no ano. ;Mas, um resultado negativo no segundo trimestre deve reduzir as expectativas para 1,2% ou 1,3%;, disse Bandeira. ;O problema é que estamos com uma recuperação muito lenta. Em junho, teremos certamente, uma taxa melhor para a indústria, mas o desempenho geral está aquém do esperado;, completou.

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