Trilhas urbanas

Trilhas urbanas

postado em 09/09/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Desde pequena, a produtora cultural e diretora teatral Fernanda Pacini Valls, 35 anos, sempre gostou de acampar e visitar cachoeiras. O pai, pesquisador e botânico, compartilhava o amor pelo meio ambiente com a família. E as irmãs levavam Fernanda para acampamentos e aventuras.

;Sempre que começo uma trilha, é como se carregasse comigo todas as trilhas que fiz, todas as pessoas que já me acompanharam em uma caminhada e me ensinaram tanto nos locais que percorremos juntos;, reflete.

Em 2015, aos 32 anos, Fernanda fez a primeira caminhada sozinha. Percorreu a Estrada Colonial, em direção a Pirenópolis. Durante três dias, trilhou cerca de 75km, em uma jornada de autoconhecimento. ;Foi a experiência mais incrível que pude viver. Foi muito importante ir sozinha e descobrir o tanto de coisas que sou capaz e não sabia de mim;, afirma.

Para ela, os grandes diferenciais em trilhar sozinha estão no silêncio, na atenção e meditação. ;Você depende só de você pra tudo, seja para compreender o caminho, seja pra passar por partes mais difíceis, em que, às vezes, precisaria de uma mão.;

Ali do lado

Para mulheres que trilham sozinhas, Fernanda acredita que os perigos são os mesmos existentes na sociedade em que vivemos. ;Neste mundo machista, é difícil ter que lidar com o medo de abusos. Tendo a achar que as pessoas que estão em um espaço da natureza têm uma energia diferente. Tenho mais medo dos espaços urbanos do que da floresta;, afirma.

Apaixonada pela orla do Lago Paranoá, a produtora cultural, no início do ano, criou um projeto de trilhas urbanas, no qual mapeia os melhores lugares para ver a lua nascer, nadar no lago, caminhar ou pedalar. As descobertas são compartilhadas no Instagram, @andantedosventos.

Fernanda já percorreu praticamente toda a orla desobstruída ; falta apenas um último trecho no Lago Sul. E convida a população a explorar mais os espaços públicos, que têm muita diversidade a oferecer e estão logo ali, do seu lado.

Segurança é tudo
  • Sempre avise aos amigos e familiares sobre sua localização e com quem você estará.
  • Deixe avisado o dia provável do retorno.
  • Pesquise sobre o local e se é seguro o suficiente para que mulheres façam o trajeto desacompanhadas.
  • Se optar por fazer uma trilha sozinha, escolha as que já conhece.
  • Use GPS ou mapas.
  • Informe-se sobre o nível de dificuldade da trilha e quantos quilômetros serão percorridos.
  • Saiba o destino final e planeje o caminho a ser percorrido.
  • Se houver boatos de assaltos no local, evite levar bens de valor, como celular, carteira e chave do carro.
  • Se o local tiver a presença de cobras, escolha sempre sapatos que protejam os pés e os tornozelos.
  • Leve repelentes.
  • Leve roupas e equipamentos adequados para o tipo de trilha.
  • Tenha sempre um minikit de primeiros socorros, sobretudo se estiver sozinha.
  • Leve lanterna e boné.
  • Leve sempre água e alimentos que forneçam energia.
  • Use e leve sempre protetor solar.
  • Tenha o maior cuidado possível com seu lixo.
  • Se não tiver experiência, comece com trilhas curtas e fáceis. Vá se aprimorando, aprendendo aos poucos e elevando o grau de dificuldade, devagar e sempre.

Desbravando o mundo

A brasiliense Jussiara Ferreira, 27 anos, é tão apaixonada pelo trekking que, em 2015, adotou como pseudônimo o termo que define a prática de fazer trilhas. Ela se transformou em Ju Trekker. A servidora pública é fã de checklists e sempre viaja com objetivos. Hoje, busca conhecer o máximo de trilhas possíveis mundo afora.

O que começou como um hobby se tornou um projeto de vida e também uma forma de ajudar outras mulheres a realizarem os próprios sonhos que envolvem trilhas e viagens.

No ano passado, ao ler um livro, descobriu uma trilha que sonhava em fazer, a Tour du Mont Blanc, entre a França e a Itália, e chegou a abandonar um intercâmbio em favor da aventura. Apaixonada pela obra, resolveu que faria todas as trilhas contidas nela e, assim, o blog de dicas que já existia cresceu e se tornou o projeto Trilhas pelo Mundo (@jutrekker), no qual ela percorre os países fazendo as trilhas mais clássicas.

Quando não está explorando as trilhas clássicas do planeta, a servidora pública se aventura nos arredores de Brasília, onde, garante, há lindos caminhos a serem desbravados. As pessoas podem participar, acompanhando Jussiara e pagando taxas simbólicas, que a ajudam a manter as trilhas. Além disso, ela faz parcerias com a população local e, quanto mais gente participa, mais barato ficam as viagens.

Para ela, é importante envolver as mulheres em projetos como esse para que a ideia de que são mais frágeis ou que não são capazes de todo o tipo de aventura seja abandonada de vez.

Jussiara explica ainda que não busca o projeto como forma de lucro, mas sim um hobby no qual ela consegue envolver outras pessoas. ;Realizo o meu sonho e ainda consigo ajudar as pessoas a realizarem o delas;, comemora. Um objetivo de vida? Chegar ao Everest.

Explorando o DF e o Entorno

Com a ajuda das trilheiras, mapeamos alguns caminhos a serem percorridos aqui por perto.
  • Parque do Tororó: localizado na Região Administrativa de Santa Maria, está a apenas 35km de Brasília. Conta com uma cachoeira com queda d;água de 18 metros de altura.
  • Chapada dos Veadeiros: paraíso para qualquer trilheiro, o parque nacional fica a 265km de Brasília e conta com diversas trilhas e cachoeiras. As Calangas do Cerrado destacam a Catarata dos Couros e a Cachoeira do Segredo.
  • Floresta Nacional de Brasília (Flona): foi criada em 1999 e protege uma área de cerrado de 9 mil hectares. Conta com trilhas completamente sinalizadas.
  • Terra Ronca: localizado nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, na região nordeste de Goiás, o parque estadual tem uma área de 57 mil hectares e uma das maiores concentrações de cavernas da América Latina.
  • Cachoeiras do Indaiá: a microbacia do Rio Itiquira, localizada na região próxima a Formosa, em Goiás, conta com várias quedas d;água com alturas variadas.
  • Parque Nacional de Brasília: mais conhecido por Água Mineral, abrange uma área de 42.355,54 hectares, com território distribuído pelas regiões administrativas de Brazlândia, do Plano Piloto e de Sobradinho e pelo município goiano de Padre Bernardo.
  • Jardim Botânico: primeiro Jardim Botânico do Brasil com um ecossistema predominante de cerrado, tem uma área de cerca de 5 mil hectares, dos quais 526 são abertos à visitação. Conta com

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