Basta de preconceito!

Basta de preconceito!

postado em 21/09/2018 00:00
Em um dos lugares mais movimentados de Brasília, onde vários candidatos aproveitam a multidão para angariar votos, o som da música tradicional nordestina chamava a atenção de quem passava: eram os irmãos Romário e Marcelo Cordeiro. Os gêmeos perderam a visão ainda crianças. Eles também têm dificuldades em fazer alguns movimentos motores. Nada, porém, os impediu de escrever o forró que tocam pelas ruas da cidade. O trabalho informal, no entanto, é a única opção para eles.

As deficiências somadas à baixa renda da família contribuíram para a difícil inserção no mercado de trabalho. Apenas um deles recebe o benefício da aposentadoria por invalidez. Dessa forma, ir às ruas é a única opção para complementar a renda. ;Tenho 15 anos de música. O pessoal gosta, pede, e a gente atende. Mas não dá muito dinheiro não;, afirmou Marcelo. Eles arrecadam cerca de R$ 800 por mês, segundo o pai, Gilvan Cordeiro, que toca triângulo com os filhos.

Mesmo no trabalho informal, a dificuldade também se apresenta. ;A gente já foi desmoralizado. Por eu ser músico, e eles, deficientes visuais;, lamentou Gilvan. A família, do Piauí, veio para Brasília tentar aumentar a renda, porém, a experiência não foi a melhor. ;É muito preconceito que a gente sofre. Isso atrapalha o nosso trabalho. E, sem isso, a gente não vive;, disse Marcelo, segurando a sanfona.

A mãe dos gêmeos, Luzineide Cordeiro, afirmou que a família tem dificuldade de sair para trabalhar devido ao difícil acesso ao transporte público. Eles moram na Fercal, cidade localizada a 23,7km de Brasília. ;Eles tocam um dia sim, um dia, não. O ônibus é caro e sempre está muito cheio;, lamentou.

Segundo a mãe, pela falta de médicos disponíveis para emitir o laudo que permite o livre acesso ao transporte público ; um direito dos deficientes visuais pela Lei n; 4.317, de 2009 ;, os irmãos perderam o benefício. Luzineide disse que a família precisou buscar o atendimento no Piauí, mas ainda não recebeu as carteirinhas. ;A gente não consegue pagar a consulta no hospital particular, é muito caro. Precisamos sair do estado para ter direito ao benefício dos meus filhos;, destacou.

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