Democracia, sempre

Democracia, sempre

Rodrigo Craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 26/09/2018 00:00
Cheguei ao mundo em 26 de setembro de 1975. Exatamente 11 anos antes, o Brasil começou a experimentar os seus tempos mais sombrios. Aos 9 anos, eu me recordo da figura de Ulysses Guimarães, em um comício na Praça Cívica, em Goiânia, defendendo o direito ao voto livre e direto, ante centenas de milhares de pessoas. Eu estava lá. Era apenas uma criança, mas percebi uma ânsia desesperada de liberdade e de mudança naquelas pessoas e naqueles políticos. Era como se o Brasil gritasse por socorro e desejasse uma réstia de luz em meio à escuridão. Somos uma democracia jovem, com apenas 33 anos, desde que os militares abandonaram o poder e Tancredo Neves foi eleito. Não podemos nos deixar trair pela sede de um país menos corrupto e mais seguro. Limpar o Brasil exige paciência e, sobretudo, tempo.

Soluções milagrosas inexistem. Acreditar na verborragia inflamada, machista, misógina e homofóbica de determinado candidato e de seu vice é colocar em xeque tantas conquistas obtidas às custas de golpes de cassetete, pau de arara e ameaças. É flertar com um político que enaltece um torturador conhecido por levar crianças até os calabouços da ditadura para ver a mãe nua, machucada e humilhada. Apostar todas as fichas na extrema direita apenas para protestar contra a esquerda e impedir uma volta do PT ao poder é lançar o Brasil no pântano da incerteza e do medo, sabendo existirem alternativas mais viáveis. O candidato em questão chegou a defender que a polícia execute bandidos a toque de caixa e se posicionou contra o Estatuto do Desarmamento. Prenúncio de mais violência, insegurança e terror.

Em 1; de janeiro, seremos os responsáveis por aquele que subir a rampa do Palácio do Planalto e receber a faixa presidencial. O Brasil está naufragado em uma das piores crises econômicas de sua história, com 13 milhões de desempregados e quase 5 milhões de desalentados, cidadãos que desistiram de buscar recolocação no mercado. Nossa escolha nas urnas, no próximo dia 7, pode representar um salto no vazio e tornar o país um barco sem timoneiro. É preciso bom senso e compreender que o radicalismo está longe de ser um remédio para os males de nossa nação. Precisamos de um governo que una, não que divida; que se foque em princípios humanistas, e não que flerte com ideologias segregacionistas e misóginas. O preço a pagar por uma escolha errada nas eleições poderá ser alto demais e impactar o futuro de nossos filhos e netos. A democracia agoniza.




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