Tremendo por sossego

Tremendo por sossego

Com mais adeptos a cada dia, a Técnica de Redução de Estresse (TRE) estimula o sistema nervoso a liberar a tensão e ter qualidade de vida. O objetivo do exercício é relaxar

» Mariana Machado Especial para o Correio
postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)


Viver momentos de grande tensão, sofrer um acidente ou, até mesmo, levar um susto pode gerar diversos efeitos no corpo humano, uma das reações mais comuns é o tremor. Às vezes nas mãos, às vezes nos joelhos, cada pessoa responde de um jeito. Esse comportamento involuntário é o que os praticantes da Técnica de Redução de Estresse, ou simplesmente TRE, querem provocar. Segundo a jornalista Raquel Flores, 52 anos, a tremedeira é uma forma natural de o corpo encontrar equilíbrio em momentos difíceis e suprimi-la pode aumentar o estresse.

;Uma criança que passa por um grande choque naturalmente vai tremer, mas os adultos tentam evitar. Isso acontece porque nós associamos a reação a coisas ruins, como doenças. A TRE vem para liberar o corpo a sentir e então poder relaxar;, explica Raquel, que é uma das facilitadoras (como são chamados os instrutores da prática) em Brasília.

Ela conheceu a técnica em 2009, por indicação de um psicólogo. ;Eu tinha acabado de perder meu pai, era uma época muito difícil. Fiz a primeira sessão e achei muito esquisito, mas comecei a praticar e acabei me envolvendo;, conta. Ela explica que é possível experimentar os tremores logo na primeira aula, mas que cada um sentirá de uma forma diferente, com mais ou menos intensidade.

A TRE foi criada nos Estados Unidos pelo psicólogo e filósofo David Berceli. Ele viveu 20 anos em países em guerra, que sofrem com catástrofes ou locais onde o sentimento de tensão e medo extremos estão presentes na população, como regiões de Israel, Sudão e Uganda promovendo seminários sobre alívio de traumas para organizações internacionais. David esteve no Brasil algumas vezes ministrando os cursos de formação, como o feito por Raquel em 2012.

Os exercícios lembram posições da ioga e devem sempre respeitar o limite físico de cada praticante. ;Em uma escala de 0 a 10, sendo 0 nenhuma dor e o 10 uma dor intensa, nós trabalhamos no 7;, afirma Raquel. A concentração deve estar voltada para a respiração e sintonia com o próprio corpo.





Ar livre

Empolgada com os resultados, ela convenceu a irmã, a professora e psicóloga Cristina Flores, 59, a aprender a técnica. Cristina gostou tanto que também se tornou facilitadora. Cada sessão dura cerca de uma hora e é composta por sete exercícios que podem ser feitos por pessoas a partir dos 5 anos de idade. Raquel não cobra pelas aulas que são dadas ao ar livre e promovidas pelo movimento ;TRE nos Parques;.

;Começamos em 2016, e fazemos em quase todos os finais de semana. Já tivemos vivências no Parque da Cidade, Olhos D;Água, Ezechias Heringer e agora estamos tentando manter no Eixão do Lazer;, explica a jornalista. No domingo, mais de 60 pessoas se inscreveram para participar do evento ;Desestressa;, no Eixão Sul. A data foi escolhida a dedo, 23 de setembro é o Dia nacional de combate ao estresse. Além de Brasília, Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Camaragibe (PE) e Santos (SP) também receberam o encontro.

Raquel explica que as reações em quem pratica são variadas a cada sessão. ;Tem gente que ri porque acha estranho, gente que sente muito calor, tem até quem fique enjoado. Tudo normal. É como se o corpo estivesse, aos poucos, se descarregando do que faz mal;, revela.

Praticante há cerca de 4 meses, a administradora Tatiana Rodrigues, 41, já teve as mais diversas sensações. ;Eu sou muito ligada no meu corpo, então senti bem a liberação (de estresse) no momento da primeira tremida. Teve um dia que suei muito, em outro dia senti muito frio;, relembra.

Tatiana sofre de fibromialgia, uma síndrome sem cura que provoca dores intensas por todo o corpo. Por conta da doença, ela quis conhecer a TRE na Paróquia São Camilo de Lellis, que fica na 304 Sul. ;Tem ajudado bastante, porque é uma técnica que não agride. É suave, você vai trabalhando no seu limite. Aliviou um pouco as dores, mas tem que ser feita como prevenção, e não cura;, destaca.


Contato
Quem tiver interesse em praticar TRE nos parques ou na Paróquia São Camilo pode entrar em contato com a facilitadora Raquel Flores pelo telefone 99975-4314


Grupos de TRE no Serviço Público de Saúde do DF

Brazlândia
; UBS 2 de Brazlândia (Área Especial, Quadra 45, Vila São José): às sextas-feiras, às 7h30
; UBS 1 de Brazlândia (Centro): às quartas-feiras, às 15h
; Posto de saúde do INCRA 8 ; Brazlândia (Incra 8): às quintas-feiras, às 15h.
; Salão da Igreja Menino Jesus em Brazlândia (Centro): às quartas-feiras, às 8h30

Ceilândia
; UBS 3 de Ceilandia (QMN 15, Ceilândia Sul): às sextas-feiras, às 7h15

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