Brasília-DF

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postado em 04/10/2018 00:00


A disputa do futuro

O apoio da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) a Jair Bolsonaro tem como pano de fundo a tentativa de tirar da União Democrática Ruralista (UDR), presidida por Nabhan Garcia, do comando da Agricultura num possível governo bolsonarista. Nabhan está com Bolsonaro desde o início do ano, ajudando nas conversas com os produtores. Comprou a candidatura ;na planta;, ou seja, quando os parlamentares acreditavam que Bolsonaro não se sustentaria. A FPA, que tem como vice-presidente a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), estava mais voltada para Geraldo Alckmin.

Agora, a bancada do agronegócio se coloca pronta para concorrer com a UDR. Esse estica e puxa do agronegócio promete se espalhar para outras áreas. É, aí, que estará em teste a habilidade de Bolsonaro para negociar. Até aqui, no hospital e em casa, ele não conseguiu mostrar ao país sua capacidade de diálogo, tampouco de busca de consenso.

No escuro, não I
Entre os aliados de Geraldo Alckmin que não se deixam levar pelas pesquisas, há um grupo disposto a apelar para que não corram todos diretamente para Jair Bolsonaro e não desistam de levar o tucano ou Ciro Gomes ao segundo turno. A intenção é pedir ao eleitor que tire o PT do segundo turno e, se não for possível, pelo menos que se dê um tempo para que o país possa conhecer melhor os planos de Jair Bolsonaro. Faz sentido.


No escuro, não II
Desde a facada, Bolsonaro ficou recolhido e só saiu do hospital na última semana, sem liberação para participar de debates. Para completar, qualquer detalhe maior de programa, levou tanto o vice, general Hamilton Mourão (PRP), quanto o economista Paulo Guedes, a serem obrigados a se calar. Logo, avisa quem entende das coisas, é preciso dar um tempo ao candidato para esclarecer e ajustar seu programa, talvez, numa carta aos eleitores. Para isso, dizem alguns, nada melhor do que um segundo turno.


Olho gordo
O presidente Michel Temer, que já tirou recursos do Sebrae para repassar aos museus, mira agora R$ 600 milhões do Sesc para financiar a transformação da Embratur em agência nacional de turismo. A turma do Sesc, obviamente, está com um pé atrás, especialmente, com um governo que tem apenas três meses.

Enquanto isso,
no ninho tucano;
A debandada da campanha de Geraldo Alckmin levou a turma de João Doria ao seguinte cálculo: se Alckmin for derrotado e Doria vencer a eleição para o governo estadual, o ex-prefeito vira o todo-poderoso. Ganhará, assim, passe livre para, mais à frente, concorrer à sonhada Presidência da República. Falta combinar com os eleitores.

Quem vai chamar o Meirelles?/ A coluna quis saber do candidato do MDB ao governo do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, se ele chamará o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (foto), que concorre à Presidência da República, para compor sua equipe, se vencer a eleição. ;Eu não, vou governar com os daqui;.

É mágoa/ No início da campanha, quando estava com 2% nas pesquisas, Ibaneis chegou a sugerir compromissos conjuntos entre ele e Meirelles. O presidenciável não deu resposta. Agora, que lidera as sondagens, Ibaneis não quer conversa com o presidenciável do seu partido.

Enquanto isso, no STF.../ Muito prestigiado o lançamento ontem, na biblioteca do STF, da segunda edição do livro Comentários à Constituição do Brasil, escrito pelos juristas JJ Gomes Canotilho, Ingo Sarlet, Lênio Streck e o ministro Gilmar Mendes.

Vai vendo/ Eleitores de outros candidatos ficaram perplexos com o vídeo em que o empresário Luciano Hang, dono da loja Havan, constrange seus funcionários e diz que eles correm o risco de ser demitidos, se Jair Bolsonaro não vencer as eleições no domingo. A ordem agora, em Brusque, será boicotar a loja.

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