Força também nos estados

Força também nos estados

As urnas mostraram uma diversidade bem maior de partidos nos executivos estaduais, com destaque para a legenda do novo presidente. O PSL, que não tinha nenhum governador, agora comanda Roraima, Rondônia e Santa Catarina

» INGRID SOARES » LUCAS VALENÇA Especiais para o Correio » VERA BATISTA
postado em 29/10/2018 00:00
 (foto: Guilherme Hahn/Diário Catarinense/Agência RBS/Folhapress)
(foto: Guilherme Hahn/Diário Catarinense/Agência RBS/Folhapress)


A campanha do presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, elevou o PSL a outro patamar. Em 2014, o partido não elegeu nenhum governador. Em contrapartida, nessas eleições, a legenda teve o melhor desempenho positivo. Dos três candidatos que disputavam o segundo turno dos governos estaduais, todos foram eleitos. Em âmbito nacional, uma diversidade maior de partidos vai ocupar os palácios dos estados. O PT, segundo colocado na eleição presidencial, lidera com quatro eleitos.

Além da expressiva bancada no Congresso, Bolsonaro conseguiu elevar a representatividade do PSL nos estados e chegou ontem a eleger os governadores Antônio Denarium (RR); Coronel Marcos Rocha (RO) e Comandante Moisés (SC). O PT e o PSDB, que durante muito tempo duelaram pelo Palácio Planalto, perderam estados. Com quatro eleitos ; Rui Costa (BA), Camilo Santana (CE), Wellington Dias (PI) e Fátima Bezerra (RN) ;, os petistas diminuíram um. Os tucanos, que elegeram três (João Doria/SP, Eduardo Leite/RS e Reinaldo Azambuja/MS), perderam dois.

Enfraquecido nessas eleições, o maior partido do país, o MDB, sofreu a maior derrota no mapa dos governadores. Em 2014 foram sete. Este ano, a legenda emplacou Renan Filho (AL), Helder Barbalho (PA) e Ibaneis Rocha (DF). O Democratas, que no pleito anterior não elegeu nenhum governador, passou a ter dois representantes eleitos: Mauro Mendes (Mato Grosso) e Ronaldo Caiado (Goiás). Enquanto isso, o recém-criado Novo fez Romeu Zema governador em Minas Gerais, com expressiva votação. Por fim, o PSB manteve o número do pleito anterior, com Paulo Câmara (PE), Renato Casagrande (ES) e João Azevedo (PB).

Como no Congresso

Nos cálculos do cientista político Jorge Mizael, da Consultoria Metapolítica, Bolsonaro teve alianças confirmadas em oito estados, acenos não consolidados em 12, e rejeição em seis. ;É o mesmo desenho que se viu no Congresso Nacional, onde o principal opositor, o PT, fez 56 cadeiras e o PSL, de Jair Bolsonaro, 52;, acredita. Na análise de Mizael, os estados que apoiam Jair Bolsonaro são: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Amazonas, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rondônia e Roraima. No entanto, o Amapá, Tocantins, Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte demandarão um maior esforço do presidente.

Na prática, de acordo com Thiago Vidal, gerente de análise política da Prospectiva Consultoria, Bolsonaro vai encarar duas dicotomias. A primeira é conciliar o pensamento liberal do seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, com o nacional desenvolvimentismo dos militares. ;E a segunda é deixar de lado a ingênua ruptura assumida diante do sistema político, prometida aos eleitores, e conversar com o Congresso. Mas essa disposição de não se aliar, apontada durante a campanha, só demonstra desconhecimento da legislação;, destacou Vidal.

Essa negociação, explica Vidal, não é de todo ruim. Para ele, a centralização do poder leva a riscos extremos, sendo importante conciliar interesses com o Legislativo. ;Até porque o PSL de Bolsonaro, a rigor, ganhou mesmo em três estados. O PT, embora derrotado, sai fortalecido com governadores do Nordeste muito mais fortes do que os que estão do lado do vencedor e será a principal voz da oposição. Também elegeu a maior bancada da Câmara e vários senadores;, lembra.

Os eleitos

1; turno

Camilo Santana (PT) Ceará
Wellington Dias (PT) Piauí
Rui Costa (PT) Bahia
Renan Filho (MDB) Alagoas
Flávio Dino (PCdoB) Maranhão
João Azevêdo (PSB) Paraíba
Paulo Câmara (PSB) Pernambuco
Mauro Carlesse (PHS) Tocantins
Gladson Cameli (PP) Acre
Ronaldo Caiado (DEM) Goiás
Renato Casagrande (PSB) Espírito Santo
Ratinho Júnior (PSD) Paraná
Mauro Mendes (DEM) Mato Grosso

2; turno

João Doria (PSDB) São Paulo
Wilson Witzel (PSC) Rio de Janeiro
Romeu Zema (Novo) Minas Gerais
Eduardo Leite (PSDB) Rio Grande do Sul
Comandante Moisés (PSL) Santa Catarina
Ibaneis Rocha (MDB) Distrito Federal
Reinaldo Azambuja (PSDB) Mato Grosso do Sul
Wilson Lima (PSC) Amazonas
Fatima Bezerra (PT) Rio Grande do Norte
Belivaldo (PSD) Sergipe
Helder Barbalho (MDB) Pará
Waldez (PDT) Amapá
Coronel Marcos Rocha (PSL) Rondônia
Antonio Denarium (PSL) Roraima

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação