Bons hábitos quer vêm do berço

Bons hábitos quer vêm do berço

A obesidade infantil cresce em largas proporções. Estudos apontam que uma criança com sobrepeso corre mais risco de ter problemas com a balança na vida adulta

POR ANDRÉ BAIOFF*
postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Com a correria do dia a dia, a preocupação com a alimentação vira coadjuvante na vida de muita gente. Da mesma forma, as crianças ficam à mercê de uma dieta industrializada e pobre em nutrientes. É um tal de biscoito pra lá, achocolatado pra cá; Mas é bom ter cuidado. Segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) com a Imperial College London, o número de crianças e adolescentes obesos aumentou 10 vezes nas últimas quatro décadas. Além disso, o número de pessoas de 5 a 10 anos de idade com sobrepeso chegou a 213 milhões em 2016.

De acordo com Orlando Pereira Faria, cirurgião geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a obesidade é uma doença que ocorre quando o corpo acumula e armazena quantidades excessivas de gordura. E o aumento da ingestão calórica aliado à diminuição da atividade física têm contribuído para o crescimento do problema. Em 2016, havia uma estimativa de 41 milhões de crianças com menos de 5 anos com sobrepeso ou obesas.

Antes considerado um problema de países ricos, a obesidade cresce em países pobres e em desenvolvimento ; sobretudo em áreas urbanas. Na África, ilustra Orlando, o número de garotos e garotas com menos de 5 anos e sobrepeso aumentou cerca de 50% desde 2000. O médico explica que a obesidade infantil traz problemas a longo prazo. ;Ela tende a continuar na vida adulta em cerca de 60% dos indivíduos, segundo pesquisas da Universidade de Harvard;, ilustra.

As doenças que acompanham a obesidade, quando aparece precocemente, também tendem a ter um tratamento mais difícil, como diabetes, apneia do sono, hipertensão arterial e dislipidemias (aumento do colesterol e dos triglicerídeos no sangue). ;Problemas psíquicos decorrentes da obesidade na infância costumam ser dramáticos, com consequências que duram toda a vida.;

Aliás, explica Orlando, o problema está associado a uma maior propensão de morte prematura e incapacidade na vida adulta. Além dos riscos futuros, crianças obesas costumam ter dificuldades respiratórias, maior risco de fraturas, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, resistência à insulina e efeitos psicológicos.

Participação dos pais

Para Orlando, a chave para o controle da obesidade infantil está na família. ;O corpo da criança é a sua casa, é a apresentação para o mundo. Se esse corpo é fonte de preconceito e discriminação, não é de se estranhar que a obesidade infantil esteja ligada a maior risco de depressão, ansiedade, baixa autoestima, desesperança e outros estados desagradáveis da mente;, argumenta.

A assistente jurídica Glênia dos Santos Souto, 35 anos, tem um filho de 12 que está com sobrepeso e sofre com a condição. ;Os primos e os colegas da escola o chamam de ;gordinho;. Ele não gosta, fica bravo!”, conta a mãe. Quando mais nova, Glênia não tinha consciência sobre a importância da alimentação dos filhos.

Nas compras, geralmente feitas pelo ex-marido, havia enlatados, macarrão instantâneo, doces; enfim, tudo industrializado e pobre em nutrientes. A mudança da família veio após o diagnóstico de diabetes de Glênia. Ela passou a buscar melhores hábitos alimentares e a levar uma vida mais saudável. Hoje, mesmo com o filho não morando com ela, Glênia conversa com o garoto sobre a importância de cuidar da dieta.

;Simplesmente não compro mais refrigerante. Opto por suco natural, vitaminas; Há alguns alimentos que não adiciono açúcar ou sal. Pizza e hambúrguer raramente entram na minha casa;, diz Glênia. Ela lembra que, antes dos 2 anos do filho, não tinha tanto conhecimento e dava bebidas açucaradas e besteiras para ele.

Retorno positivo

Débora Campos Oliveira, nutricionista do Grupo Educacional Colinho de Mãe ; escola que aplica métodos de alimentação balanceada com a colaboração dos pais ;, explica que o cardápio das refeições é proposto com o intuito de promover uma melhor qualidade de vida dos alunos. A nutricionista conta que se encontra individualmente com os pais para saber como é a alimentação em casa.

;Muito deles se queixam de que é difícil implantar a rotina de uma dieta saudável, por conta da correria diária.; Para ela, os filhos tendem a imitar o comportamento dos pais. Se se alimentam mal, as crianças tomarão como padrão para a vida. Além disso, Débora conta que ingredientes como açúcares deixam a garotada mais agitada, e a alimentação balanceada faz com que os pequenos tenham mais retornos positivos nas salas de aula.

Vida natural

João Gabriel Malafaia Moreira tem 2 anos e 8 meses. A avó, a aposentada Sônia Malafaia Moreira, 59, conta que, desde a gestação da mãe dele, propôs implementar uma dieta vegetariana para João. Sônia, anos antes, era vegetariana e conhecia o caminho a ser seguido. No entanto, buscou conhecimento para levar a dieta para o bebê.

Na busca, procurou auxílio médico. Os especialistas falavam que o preocupante era garantir ingestão de vitaminas e minerais essenciais para o crescimento de uma criança, como vitamina B12, proteínas e ferro. Periodicamente, João faz exames para ver se está tudo certo com a saúde. ;No último, estava tudo ok. O maior problema era o ferro, mas ele toma um suplemento de sulfato ferroso.;

Como fazer, porém, uma criança não se interessar pelas comidinhas de uma festa infantil, por exemplo? Sônia conta que, antes de irem a qualquer comemoração, dá a refeição para João. Assim, ele fica de barriga cheia e gasta a energia comemorando com os colegas.

*Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte

Efeitos nocivos

Orlando Pereira Faria destaca as principais consequências da dieta calórica e pobre em nutrientes para a saúde da criança:
  • Prejudica os mecanismos que indicam a fome e a saciedade.
  • Proporciona o acúmulo de gordura.
  • Favorece o desenvolvimento de alergias e intolerâncias alimentares.
  • Prejudica o funcionamento dos rins.
  • Sobrecarrega o funcionamento hepático.
  • Causa distúrbios estomacais e intestinais.
  • Favorece o desenvolvimento de diabetes, hipertensão, obesidade e diversos tipos de câncer.

Fatores de risco
  • Doenças cardiovasculares (principalmente inf

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