Presidente da Vale é afastado

Presidente da Vale é afastado

Saída de Fábio Schvartsman, de três diretores e cinco gerentes da mineradora foi recomendada pela Polícia Federal e pela força-tarefa do Ministério Público de Minas Gerais que investiga o rompimento da barragem de Brumadinho

BERNARDO BITTAR
postado em 03/03/2019 00:00
 (foto: Valter Campanato/Ag?ncia Brasil
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(foto: Valter Campanato/Ag?ncia Brasil )



Após receber uma recomendação formal da Polícia Federal (PF) e da força-tarefa do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), responsável pelas investigações envolvendo a tragédia de Brumadinho (MG), o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, se afastou temporariamente do cargo. Em carta enviada ao conselho de administração da companhia, que aprovou o afastamento, ele diz que é ;muito difícil (...) se retirar da linha de frente, ainda que temporariamente, quando o desafio mais agudo se apresenta;.

A permanência de Schvartsman no comando da empresa estava em xeque desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro, que matou 186 pessoas. Há 122 desaparecidas, segundo o último balanço da Defesa Civil. Ficou, entretanto, insustentável quando a força-tarefa enviou um documento à Vale, pedindo inclusive que ele fosse proibido de entrar no prédio.

Apesar de o afastamento ser em caráter temporário, o executivo dificilmente voltará ao comando da mineradora. A saída vem depois que funcionários da Vale presos disseram que diretores da companhia estavam cientes dos riscos de erosão na barragem de Brumadinho. Testes de laboratório teriam mostrado, ainda, que as barragens de rejeitos não eram confiáveis e que a situação de Brumadinho era ;tenebrosa;.

Além do presidente, a força-tarefa recomendou o afastamento de três diretores da companhia ; Gerd Peter Poppinga, Lúcio Flávio Gallon Cavalli e Silmar Magalhães Silva. Também foi pedido o afastamento de cinco técnicos e gerentes, todos envolvidos com atividades relacionadas à gestão de risco ou ao monitoramento de segurança de barragens: Alexandre de Paula Campanha; Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo; Joaquim Pedro de Toledo; Cesar Augusto Paulino Grandchamp e Rodrigo Artur Gomes de Melo.

Outra recomendação é para que o corpo de empregados da Vale não compartilhe assuntos de ;teor estritamente profissional; com esses investigados.

Para outros cinco funcionários foi recomendado apenas o afastamento das funções no grupo Vale, sem estar expresso o impedimento de entrada no prédio. Na lista estão Felipe Figueiredo Rocha; Washington Pirete da Silva; Renzo Albiero Guimarães Carvalho; Cristina Heloiza da Silva Malheiros, responsável técnica pela barragem B1; e Arthur Bastos Ribeiro.

Com a saída do grupo, a Vale deve ser conduzida, interinamente, pelos diretores remanescentes, sob o comando do diretor executivo de Metais Básicos, Eduardo Bartolomeo. Em nota, a companhia informou ainda que Claudio de Oliveira Alves (atual diretor de Pelotização e Manganês) ocupará interinamente a função de diretor executivo de Ferrosos e Carvão e Mark Travers (atual diretor Jurídico, de Relações Institucionais e Sustentabilidade de Metais Básicos) ocupará interinamente a função de diretor executivo de Metais Básicos. A companhia reafirmou ainda que colabora com as investigações sobre a tragédia de Brumadinho.

A força-tarefa que investiga o desastre da barragem da Vale em Minas Gerais é composta por integrantes de uma série de órgãos públicos. Entre elas, o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Minas Gerais e a Polícia Federal.

Fábio Schvartsman já ocupou cargos de alto escalão de grandes empresas, como o Grupo Ultra e a Duratex, além de ter sido o responsável por finalizar o processo de profissionalização da fabricante de papel e celulose Klabin. Nesse caso, foi o primeiro executivo que não pertence às famílias controladoras a comandar o grupo. Procurada pelo Correio, a PF preferiu não fazer comentários. O Ministério Público não respondeu os questionamentos do jornal.

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