Cochilo pode ter causado tragédia

Cochilo pode ter causado tragédia

Carro em que estavam duas moradoras de Unaí seguia para a Papuda, onde elas trabalhavam, começou a ziguezaguear, até bater de frente em ônibus escolar, na zona rural do Paranoá. As mulheres morreram e 16 estudantes ficaram feridos

» Bruna Lima » Patrícia Nadir Especial para o Correio
postado em 13/03/2019 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)


Um cochilo da motorista ou uma malsucedida tentativa de ultrapassagem que a levou a perder o controle do veículo. Essas são as principais hipóteses para a causa do acidente que resultou na morte de duas servidoras da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e no ferimento de 16 estudantes, no início da manhã de ontem, em um trecho da BR-251, no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), na zona rural do Paranoá. As mulheres, que moravam em Unaí (MG) e trabalhavam no Complexo Penitenciário da Papuda, eram as únicas ocupantes do Honda Corolla que invadiu a pista e bateu de frente no ônibus que levava 41 alunos do ensino médio para o Centro Educacional PAD-DF.

Carla Machado da Silva Lemos, 40, e Rosimeire Rodrigues da Silva, 32, que estavam no Corolla, morreram na hora. Elas eram técnicas de higiene bucal e, três vezes por semana, percorriam 110km até a Papuda, onde antendiam detentos. Os 16 feridos no ônibus, de 14 a 17 anos, foram levados para o Hospital de Base, o Hospital Regional do Paranoá e o Hospital Regional de Sobradinho. Eles tinham ferimentos, escoriações e dores. O motorista do coletivo, José Eduardo de Almeida, 60, não apresentava ferimentos e não quis ser levado ao hospital.

José ficou no local do acidente mesmo após o resgate de todos os alunos, observando o trabalho dos policiais, o olhar dos curiosos e o choro de parente e amigos das vítimas. ;O carro estava fazendo zigue-zague e, de repente, surgiu na minha frente. Não deu para e evitar;, lamentou o motorista. Ele garantiu que todos os passageiros do ônibus usavam cinto de segurança no momento do acidente. ;Do contrário, teriam se machucado muito mais;, ressaltou. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que deu negativo à ingestão de álcool.

Com capacidade para 47 passageiros, o veículo pertence à empresa Pollo Viagens e Transportes, contratada pela Secretaria de Educação do DF. Responsável pela prestadora de serviços, Geraldo Pereira, destacou que, em 10 anos de atuação neste mesmo trajeto, esta foi a primeira vez em que um de seus funcionários se envolveu em um acidente. ;É uma fatalidade. Esta é uma rodovia de mão dupla e, por isso já vivemos situações perigosas, por isso a atenção é redobrada. Infelizmente, dessa vez, não teve como desviar;, contou.

Janelas quebradas

Por quase seis horas, a servidora pública Dorália Cristina Silva acompanhou o trabalho da polícia e dos bombeiros para a retirada dos corpos das vítimas. Para ela, era o mínimo que podia fazer pela família e pela melhor amiga, Carla. ;Mulher batalhadora e cheia de sonhos, de energia. Costumava chamá-la de sindicalista, já que estava sempre reivindicando pelos direitos de todos. Viveu para servir;, comentou a amiga, emocionada.

O marido de Carla, Laercio Lemos, que estava em Unaí, soube do acidente poucos minutos depois. Eles tiveram três filhos, de 7, 18 e 19 anos. Carla também era servidora concursada da Prefeitura de Unaí. Rosimeire criava sozinha a filha, de 6 anos.

A vice-diretora do Centro Educacional do PAD-DF, Uilda da Silva, seguia para o colégio, a menos de 2km do local do acidente, quando viu o ônibus acidentado e seus alunos. ;Eu os vi machucados, com cortes no rosto, boca e queixo, todos deitados. A minha primeira reação foi querer ajudar, conversar com eles, acalmar. Os bombeiros pediram para a gente se afastar. Então, comecei a avisar à escola e aos pais;, contou. Mas, por estar em uma área rural, foi difícil entrar em contato com todos os familiares.

;Foi muita rápido. Ouvi um barulho bem alto, quando entendi o que estava acontecendo só senti meu nariz doendo muito;, contou Pedro Henrique da Silva, 16 anos, passageiro do ônibus, enquanto aguardava o parecer dos médicos do Hospital de Base para saber se seria preciso operar o nariz. ;Quando soube, o meu coração ficou apertado demais. Lá na região, está todo mundo assustado, pois todos se conhecem. Ainda bem que Deus livrou meu menino do pior;, comentou a mãe do paciente, a doméstica Jaqueline da Silva Lima, 37.

Luis Fernando Brito dos Santos, 17, disse que, na hora do impacto, só se via poeira e ouviam-se gritos de medo. ;Foi muito assustador. Nem acredito que só machuquei o queixo. O sangue me assustou;, relatou. Tio do jovem, Valmir Neres dos Santos, 35, estava em uma agência do INSS que fica na esquina do Hospital de Base quando soube do acidente. ;Minha sogra ligou e a notícia que tinha era que as pessoas que morreram estavam no ônibus. A família toda pensou o pior. Logo vim para o Base, porque imaginei que alguns feridos viriam para cá;, contou o bombeiro civil.

Por causa do acidente, que aconteceu às 7h05, a BR-251 foi interditada e o tráfego desviado por estradas de terra marginais. Às 11h30, a Polícia Civil chegou ao local para fazer a perícia do acidente, que deve sair em 30 dias. A pista foi liberada no começo da tarde.

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