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postado em 23/08/2019 00:00
Amazônia
Não tenho mais dúvida de que falta ao presidente Jair Bolsonaro uma assessoria digna do cargo que ele exerce. Na quarta-feira, ouvi uma declaração em que ele levantava a suspeita de que as mais de 72 mil queimadas, que estão destruindo parte da Amazônia, foram atos criminosos de integrantes de organizações não governamentais. Para o presidente, a motivação foi o fim da ;boquinha; que as ONGs perderam, devido ao fim e às restrições de financiamento das atividades desenvolvidas pelas organizações. Questionado sobre o que o motivava a elaborar essa lógica, ele repetiu que se tratava de um ;sentimento; e que os ;ongueiros; ateavam fogo e filmavam para divulgar e comprometer a imagem do Brasil. Sem nenhum dado, sem investigação ou qualquer elemento que implicasse organizações não governamentais nas queimadas, o presidente sustenta suspeitas sem nenhum fundamento. Uma estratégia muito comum: responsabilizar os outros por aquilo que deveria ser a sua obrigação, como defender o patrimônio ambiental do país. Jamais o governo admitiria que não tem políticas públicas para o meio ambiente, da mesma forma que não tem paras as questões sociais, culturais, fundiária e tantas outras que dizem respeito diretamente às camadas menos privilegiadas da população. Agora, um presidente que faz declarações estapafúrdias é expor o Brasil ao ridículo. Não são as ONGs, os comunistas, maus brasileiros que agem para comprometer a imagem do país no exterior. Até agora, essa ação tem sido prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo.
; Ismael Costa,
Jardim Botânico


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O falecido ex-senador Jarbas Passarinho, à época, foi convidado a participar de um seminário sobre a Amazônia, promovido por ambientalistas no auditório do Senado. O senador esperava ouvir um debate entre preservacionistas, que entendem ser inconciliável o desenvolvimento com a conservação do meio ambiente e, os conservacionistas que afirmam a possível compatibilização. Preservacionistas são criticados por optarem pela natureza e não pelo homem, esse animal destruidor do meio ambiente. Essa corrente pela proteção da floresta, parece ter perdido terreno nas políticas atuais de preservação do meio ambiente. Jarbas Passarinho, ainda senador da República, em 1989, fora relator da CPI do Desmatamento da Floresta Amazônica. Nela, foram ouvidos ministros de Estado, cientistas, dirigentes da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O relatório foi aprovado por unanimidade no plenário do Senado e, concluiu-se que o desmatamento chegava a 7% do total da floresta e alertava para o perigo da velocidade do crescimento linear devido à exploração predatória da madeira. O último relatório Planeta Vivo, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês), divulgado em novembro de 2018, mostrou que a área da Floresta Amazônica foi reduzida em 20% nos últimos 50 anos devido ao desmatamento. Segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, a porcentagem de desmatamento entre 20% e 25% do bioma representa um ponto de reflexão. Ou seja, a partir deste ponto, o dano àfloresta se torna irreversível. Se o desmatamento ultrapassar o valor crítico, há riscos de um processo de savanização do bioma, com perda de biodiversidade e emissão intensa de gás carbônico para a atmosfera. Para ficarmos protegidos e seguros, políticas de desenvolvimento para a Amazônia devem rapidamente ser implantadas para nos levar a taxas zero de desmatamento líquido.
; Renato Mendes Prestes,
Águas Claras


Filtros

A tentativa do governo de negar que haja censura não tem chances de lograr êxito. O que Bolsonaro e seus aliados chamam de ;filtro;, na prática, é a ressurreição da ;censura;, com ocorria na ditadura militar. Ignorar população LGBT, negar que haja fome e miseráveis no Brasil, tentar distorcer os dados obtidos por imagens de satélites sobre o avanço do desmatamento e das queimadas, eliminar a participação popular na definição de políticas públicas e outras iniciativas semelhantes, distanciam o Brasil do Estado democrático de direito. A militarização dos órgãos governamentais está fora do seu tempo e indica claro retrocesso. O presidente vê em cada sala de cada órgão de governo a presença de ;infiltrados; (fantasmas de comunistas, esquerdistas, petistas), como se houvesse um processo de sabotagem em gestação. Para a população, ele se mostra paranoico, quando deveria ficar mais atento à própria postura como dirigente de uma nação. Diante da crise que o país enfrenta, ninguém intenciona sabotar o governo, mas não há como acreditar nos dados governamentais com tantos ;filtros; de informação. O brasileiro torce para que as medidas econômicas deem certo, pois são mais de 13 milhões de desempregados, mais de 5 milhões de famintos, e muitas outras tragédias sociais que comprometem a vida no país.
; Evaristo Carvalho,
Lago Norte





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