Eles dão a maior força

Eles dão a maior força

» Ricardo Daehn
postado em 24/12/2019 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


Num bloco de filmes, mais de 42 anos de espera até a finalização da saga de três trilogias previstas pelo criador George Lucas para Star Wars. Demorou, mas a sensação de conclusão ; com a chegada aos cinemas de A ascensão Skywalker ; pesou para fãs como a estudante de psicologia Natália Ribeiro, 21 anos, que adentrou o universo dos filmes com a chancela da Lucasfilm, aos 16 anos. Tendo assistido a todos os oito filmes (anteriores ao atual) mais de uma vez, Natália crava o espírito de fã, nas duas tatuagens coloridas impressas na perna: uma de BB-8 e outra de R2-D2. O veredicto do novo longa (o segundo criado por J.J. Abrams), entretanto, não foi dos animadores.

;Achei o mais fraco dos três últimos. Foi uma revelação ver a origem de Rey que, mesmo com fortes traços de linhagem e de poderes extensos, opta por um recomeço. O empoderamento fica evidente com a Rey e a personagem da Leia, uma mestra. Houve representatividade para Leia que, antes general, cresceu e reforçou o aspecto revolucionário que acompanhou a saga. Mas acho que faltou redenção para o Kylo Ren;, opinou Natália que viu o filme ao lado da namorada, a psicóloga Gabriela Linard.

A divisão de opiniões acompanhou o grupo de amigos do estudante de economia Rafael Braz, 21 anos. ;Acho que foi emocionante para os fãs da trilogia clássica; mas, como desfecho de um pacote de filmes, o longa não me agradou. A minha entrada no universo Star Wars, foi com cinco anos de idade: vi todos os filmes da saga. Minha mãe, Ezielma, reforçou para a gente, para mim e meu irmão Daniel, o interesse. Aprendi até a ler, pausando as imagens, com as letras amarelas mostradas no início dos filmes, e que apresentam o resumo de cada enredo;, comenta Rafael.

Em tempos de polarização exacerbada, Rafael ; que teve como porta de acesso à franquia todo o crescimento de Anakin Skywalker ; achou desconexo o atual filme em relação ao oitavo episódio (a cargo de Rian Johnson). ;Naquele, se mostrava a expansão; achei maravilhoso que a dicotomia (bem e mal) fosse questionada, com áreas em comum entre o lado sombrio e a Força positiva. Há retrato do contraventor que é mocinho, o herói, a princesa... Star Wars trata de uma fantasia bem-feita, em que o vilão dá medo e é comercial (no caso do Darth Vader). No atual filme, curti as cenas de batalha e gostei do fato de Leia, uma grande personagem, chegar à condição de mestra. Houve, entretanto, um parentesco que achei forçado;, avalia o fã.

Consenso

Com a namorada, Carla Konard, e ao lado do pai, o professor Marlon Brisola, o publicitário Vinícius Guimarães compartilhou, em comum acordo, de muitas visões e comentários quanto à A ascensão Skywalker. ;Meu pai, que é menos crítico e mais fã, gostou, com uma nota pro filme entre 9 e 10. Ele achou o longa um tanto confuso, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Achei o roteiro muito previsível, até fraquinho; mas gostei de um parentesco polêmico colocado na trama. Teve um beijo, na tela, que ninguém comprou. Achei desnecessário ; existia conexão entre dois dos personagens, mas não para romance. Não combinou com a mulher independente representada pela Rey;, opinou Vinícius, entusiasmado com a franquia, a ponto de criar artes relacionadas a Star Wars em casa.

Apaixonado pelo mundo da fantasia vista em filmes como os da saga O Senhor dos Anéis, Vinícius acredita que a empolgação de fã facilitou o gosto pelo filme. ;O longa tem muito fan service ; cenas breves, com detalhes, aparição de raça de alienígenas e coisas assim populares. As respiradas do espectador foram poucas ; há muita aventura, correria e explosão. Gostei ainda da participação do C-3PO, irritante, mas engraçado. Já o Poe Dameron e o Finn se apagam;, observa. Também conhecedor do cânone Star Wars, o autônomo Gustavo Duarte, 28 anos, aproveitou a primeira sessão da meia-noite para garantir o filme e fugir da série de spoiler. Pai do pequeno Nicko, de um ano, Gustavo prometeu voltar no fim de semana, para rever a fita, ao lado da esposa, a arquiteta Tamires. ;Vou voltar; mas não queria, não;, brincou ele, que se disse frustrado.

;Foi o pior, de longe. Até relevei o sétimo e o oitavo filme, mas para um desfecho que esperou 42 anos para se concretizar poderia ser melhor trabalhado. Acompanho tudo, desde que me entendo por gente ; usando até mesmo as fitas VHS. Sempre consumi muito de Star Wars. As expectativas eram altas;, comenta Gustavo. O profissionalismo e a seriedade notados por ele em plataformas diversificadas, como nos produtos de spin off, séries, gibis e livros ; no universo expandido (com Star Wars Rebels e Guerras Clônicas, além de The Mandalorian) não se confirmaram.

;Faltaram explicações, como a da escassez de cristais para a criação dos sabres de luz, por exemplo. Não vi o Kylo Ren como vilão, ele pareceu mais um estudioso da Força. Muita coisa ficou corrida, parecendo um novelão. Houve revelações bombásticas, jogadas de qualquer maneira. Star Wars não é um conto de fadas. É uma aventura de pessoas que se esforçam pelo que é certo, contra um governo autocrático e estadista;, conclui.

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