Angústia nos EUA ...

Angústia nos EUA ...

Relatório atribuído ao governo do presidente Donald Trump prevê registro de até 200 mil casos diários de infecção pelo novo coronavírus e cerca de 3 mil mortes por dia até 1º de junho. Casa Branca se distancia de documento

postado em 05/05/2020 00:00
 (foto: Johannes Eisele/AFP )
(foto: Johannes Eisele/AFP )

O rascunho de um relatório atribuído ao governo norte-americano ; divulgado, ontem, pelos jornais The Washington Post e The New York Times ; estima que os Estados Unidos registrarão até 200 mil casos diários de infecção pelo novo coronavírus até 1; de junho, além de 3 mil mortes todos os dias. Atualmente, os EUA têm, diariamente, 25 mil casos e 1.750 mortes. O documento prevê o aumento acentuado em infecções e óbitos a partir do próximo dia 14. A publicação das projeções ocorre no momento em que o presidente Donald Trump pressiona os estados a suspenderem as restrições de distanciamento social impostas para desacelerar o contágio da Covid-19. Até o fechamento desta edição, os EUA contabilizavam mais de 1.180.332 casos de infecção e 68.920 mortes. Em todo o mundo, eram 3.580.247 contágios e 251.365 óbitos. As estimativas do Centro para Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC) apontam que a região dos Grandes Lagos, o sul da Califórnia e partes do sul e do nordeste do país enfrentam um acréscimo no número de casos.

Com o vazamento do relatório à imprensa, a Casa Branca tratou de se desvincular do assunto. ;Este não é um documento da Casa Branca, nem foi apresentado à Força-Tarefa de Coronavírus ou submetido a análises interinstitucionais;, afirmou a Presidência dos EUA, por meio de comunicado. ;As diretrizes do presidente para reabrir os Estados Unidos são uma abordagem científica com a qual os principais especialistas em saúde e doenças infecciosas do governo federal concordaram. A saúde do povo americano segue como prioridade do presidente, e isso continuará à medida que monitoramos os esforços dos estados para aliviar as restrições.;

Consultada pela reportagem, a Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg explicou que a ;informação divulgada pelo relatório vazado da Agência Federal de Gerenciamento de Emergência (Fema) incluiu análises preliminares feitas pelos pesquisadores; da faculdade. ;Essas avaliações preliminares foram fornecidas à Fema para ajudá-la no planejamento de cenários ; não para serem usadas como previsões. A versão publicada não é a final. (Ela) ilustra que há alguns cenários, incluindo o relaxamento prematuro do distanciamento social, que provavelmente aumentam significativamente os números de casos e de mortes por Covid-19 nos Estados Unidos;, afirmou o comunicado da faculdade.

Outro modelo citado com frequência pela Casa Branca foi revisado e projetou o dobro de mortes da previsão inicial. O Instituto para Métrica e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington estima que haverá 135 mil óbitos até o início de agosto. Em 17 de abril, a projeção indicava 60.308 mortes até 4 de agosto. No domingo, Trump admitiu que os óbitos provavelmente chegariam a 100 mil. ;Nós perderemos 75 mil, 80 mil a 100 mil pessoas. Isso é horrível. Não deveríamos perder uma pessoa para isso;, comentou, em entrevista à Fox News. Ontem, um alento: os EUA tiveram o menor número de mortes em um mês ; 1.015.

Especulação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu como ;especulativas; as declarações das autoridades americanas que afirmam ter provas de que o novo coronavírus surgiu em um laboratório na cidade chinesa de Wuhan. ;Não recebemos nenhum dado nem prova específica do governo americano sobre a suspeita origem do vírus, portanto, para nós continua sendo especulativo;, declarou Michael Ryan, diretor de emergências da organização, em coletiva de imprensa virtual, na sede da OMS em Genebra. Depois de acusar a China de omitir a propagação do novo coronavírus, Washington afirma ter ;provas; de que a doença surgiu em um laboratório em Wuhan, e Trump ameaçou Pequim com ;tarifas punitivas;.

Pela primeira vez em sua história, a Suprema Corte dos EUA retomou as audiências por telefone e com transmissão ao vivo ; uma grande mudança para esta instituição de procedimentos rígidos. ;Ouçam, ouçam, ouçam;, o secretário do tribunal pronunciou a tradicional frase para abrir a sessão extraordinária que, exceto por poucos segundos de silêncio e alguns ruídos na comunicação, transcorreu sem problemas.

; Comitê para combater a ;infodemia;

Um comitê de ação política trabalha para identificar declarações falsas ou enganosas do presidente americano, Donald Trump, sobre a pandemia de Covid-19. A campanha Defeat Disinfo (;Vencer a desinformação;, na tradução livre) começou na semana passada e conta com a tecnologia das mídias sociais. Um ;conjunto sofisticado de ferramentas permite identificar informações erradas assim que começam a viralizar na internet;, de acordo com um comunicado de criadores da campanha. A tecnologia também oferece uma ;contranarrativa real; sobre a Covid-19 com respostas, ;tuíte a tuíte;, para limitar o impacto de informações imprecisas. ;O presidente Trump é o maior disseminador de desinformação da América;, disse Curtis Hougland, presidente do comitê e chefe de uma empresa que trabalha para combater propagandas da Rússia e de extremistas do Estado Islâmico. ;As pessoas estão morrendo como resultado de sua agenda política.;

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação