DF livre do analfabetismo

DF livre do analfabetismo

EDUCAÇÃO / O Distrito Federal é a primeira unidade da Federação a alfabetizar mais de 97% dos brasilienses a partir dos 15 anos. Agora, o objetivo é chegar a 100%, por meio de busca ativa de 60 mil pessoas que ainda não sabem ler nem escrever

» MANOELA ALCÂNTARA
postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


As oportunidades de estudar foram poucas para a paraibana Eliane Soares da Silva. Na infância, ajudava a cuidar dos 13 irmãos, trabalhava na roça e, até os 15 anos, não conseguiu ir à escola. Sabia muito pouco até se mudar para Brasília. Há três anos, chegou à cidade com o marido e cinco filhos. Iniciou os estudos e conquistou o sonho de aprender a ler e a escrever aos 51. A dona de casa está entre os 97,5% alfabetizados no DF, segundo dados da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan). O percentual rendeu ao DF um título inédito no Brasil. Ontem, a capital brasileira tornou-se referência ao receber o selo de Território Livre do Analfabetismo.

O ministro da Educação, Henrique Paim, entregou o certificado ao governador Agnelo Queiroz, diante de professores, alunos, funcionários públicos, entre outros convidados que lotaram o Salão Branco do Palácio do Buriti para assistir à cerimônia. Na solenidade, Eliane Soares lembrou alguns desejos que conseguiu realizar depois de entrar em sala de aula. ;Sempre quis saber o que estava escrito nos ônibus, ler a Bíblia, uma bula de remédio;, disses a recém-formada pelo Programa DF Alfabetizado.

A dona de casa lembra que não existe idade para sonhar. ;Nem tenho 100 anos ainda. Vou continuar os estudos. Quero concluir todas as fases do ensino e, depois, fazer medicina;, almeja. Entre 2011 e 2013, 20.198 pessoas concluíram o processo de alfabetização pelo programa do DF, em parceria com o Ministério da Educação. A expectativa é de que mais 10 mil iniciem a terceira edição, na próxima segunda-feira.



Desafio

Embora tenha atingido a meta de erradicar o analfabetismo oito anos antes do prazo estipulado pelo MEC, o título de primeira capital a receber o selo também aumenta as responsabilidades do governo. É preciso estudar maneiras de manter essas pessoas na escola e atrair 2,5% que não têm contato com a leitura para os estudos. ;São justamente os mais velhos, aqueles que têm resistências em se alfabetizar. Será um trabalho dobrado. Vamos buscar essas pessoas. Convencê-las de que elas têm esse direito e devem ser alfabetizadas;, afirmou o secretário de Educação Marcelo Aguiar.

Esse percentual corresponde a 60 mil analfabetos no DF com idade superior a 15 anos. Para encontrá-los, será feito um trabalho de busca ativa. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do Distrito Federal (Sedest) será a responsável por identificar essas pessoas. Depois, uma comissão vai visitá-las com a intenção de convencê-las sobre a importância de saber ler e escrever. Ainda não há um prazo para concluir essa busca, mas o secretário de Educação espera que o processo avance ainda neste semestre.

Emocionado com o título, Agnelo Queiroz reafirmou o compromisso em chegar ao índice zero de analfabetismo. ;Enquanto houver um analfabeto, um percentual residual, vamos atrás, inclusive com a bolsa alfa para pagar para a pessoa ser alfabetizada. Não tem conquista maior para a capital do país e resgate da dignidade do que esse trabalho;, afirmou. Mais de 400 voluntários participam como alfabetizadores e coordenadores. Eles recebem bolsa-auxílio do MEC de R$ 400. O GDF complementa com mais R$ 400.

O selo

O Selo de Território Livre do Analfabetismo foi instituído pelo Decreto n; 6.093, de 24 de abril de 2007, da Presidência da República. Ele confere o título ao município que atingir 96% ou mais de alfabetização, com base nos dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE). O Distrito Federal é a única unidade da Federação a superar o patamar, inspirado em paradigma estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura (Unesco). Segundo dados do IBGE, o DF chegou ao índice de alfabetização de 96,5%. Pesquisa realizada
pela Codeplan eleva o percentual para 97,5%.


O atendimento

; O DF Alfabetizado funciona em mais de 70 das 654 escolas do DF. Os alunos também têm aulas em associações comunitárias, entidades religiosas e outros espaços da administração pública. Naqueles locais em que as instituições são mais distantes, o programa vai atrás do alfabetizando. Para participar, o interessado só precisa se encorajar e entrar em contato com uma Coordenação Regional de Ensino. A terceira edição começa segunda-feira, mas a matrícula é permanente.

; O tempo de formação, antes de seis meses, passará para oito. As pessoas não alfabetizadas podem ser atendidas de duas maneiras: no primeiro segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA), equivalente aos anos iniciais da educação básica ou por meio do DF Alfabetizado.
O importante é que eles deem prosseguimento após a conclusão da alfabetização, o que só pode ser feito pelo EJA.

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