Música em qualquer lugar

Música em qualquer lugar

Maior serviço de transmissão de canções pela internet chega ao Brasil amanhã. Apesar de ajudar na promoção de artistas, a reclamação é de que os aplicativos recompensam mal quem produz o conteúdo. Confira os apps já disponíveis por aqui

postado em 27/05/2014 00:00
 (foto: Marcos Villas Boas/Divulgação - 28/2/13 )
(foto: Marcos Villas Boas/Divulgação - 28/2/13 )

Tecnologia e música sempre andaram de mãos dadas. O fonógrafo permitiu ouvir canções sem precisar ir a uma apresentação, o rádio possibilitou que obras fossem disseminadas de um jeito antes inimaginável e a música eletrônica nem seria possível sem as novidades tecnológicas. A internet também tem impacto nisso: o download balançou a indústria musical nos anos 1990 e 2000. Mas, agora, outro sistema se populariza: o streaming ou a reprodução de música pela rede. Isso significa ter acesso a qualquer canção de qualquer lugar. E o maior serviço do gênero finalmente desembarca no Brasil, o Spotify.


;A gente não pode determinar que vai ser o futuro da indústria musical. As pessoas querem que esteja tudo disponível de graça, falta um pouco de consciência também. As pessoas não entendem que o artista sobrevive daquilo, que o músico sobrevive das músicas que faz. Ninguém quer pagar pela música que consome, ninguém quer pagar para ir a um show, então é complicado;
Bárbara Eugênia


Após meses de suspense, o Spotify chega por aqui oficialmente amanhã. Criado em 2008, o programa está em 56 países pelo mundo, com 40 milhões de usuários ativos. Entre eles 10 milhões de assinantes do serviço premium, que pagam US$ 10 por mês e usam o serviço sem propagandas, além de poderem baixar as músicas das listas de reprodução nas quais estão cadastrados. Privilégios que o serviço gratuito não oferece. O app possui uma biblioteca com 20 milhões de músicas, em um total de 1,5 bilhão de playlists.

A reprodução de música pela internet aumenta a cada ano. Um balanço da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), com dados analisados em escala global, mostra que a receita da indústria a partir de plataformas digitais aumentou 4,3% no ano passado, chegando a US$ 5,9 bilhões, o que representa 39% do mercado fonográfico.


;O acesso é ainda um pouco deficitário. Acho que vai demorar para a gente entrar realmente nesta era de poder ouvir música em qualquer lugar, com uma internet legal. Mas, a cada dia que passa, mais pessoas têm um celular com câmera e 3G. Embora o Brasil ainda não seja privilegiado a ponto de ter essa internet para todo mundo usar. O público que compra música pela internet, apesar de tudo, ainda é bem restrito;

China


Embora mais da metade (51%) do dinheiro da música ainda venha pela venda de CDs e vinis, a participação dos lucros originários de formatos físicos vem diminuindo. Em 2011, a proporção era de 60%. Contudo, para o músico pernambucano China, não se pode falar que o streaming é a redenção da indústria musical. ;Não dá para apontar como uma salvação, mas é mais um caminho.; Ter os discos em mãos ainda encanta os mais saudosistas. ;Sou colecionador de vinil, e tenho CDs, realmente gosto de ter o objeto. Mas nasci em 1979, o mundo mudou;, completa o artista.

Quando a brasiliense Diana Yukari foi estudar nos Estados Unidos, achou necessário assinar algum serviço de streaming. ;Vale a pena porque tenho acesso a maior parte das músicas que gosto e que muitas vezes são difíceis de encontrar em outro lugar;, explica a estudante, que, desde março, paga US$ 10 por mês na assinatura do Google Play Music. ;É bom também para descobrir canções novas;. Yukari não está sozinha. Segundo a pesquisa do IFPI, 46% dos usuários de plataformas digitais usam esse tipo de serviço para encontrar conteúdo novo.

Divulgação
A cantora Bárbara Eugênia disponibilizou, no ano passado, o disco É o que temos, pela plataforma de streaming Rdio, antes de lançá-lo em lojas. ;O serviço é bacana porque você tem acesso a muita coisa, além de ser mais uma plataforma de divulgação do som do artista;, comenta.


;O streaming é uma porta para alguém chegar ao seu trabalho. O problema é que tem que pensar um modo de remunerar melhor quem faz o conteúdo. Se não houver músicos, não tem Spotify. Essa pessoa que gera o conteúdo é a mais importante, tem que ganhar melhor. A gente tá repetindo um processo de gravadora de anos atrás, não está dando um passo a frente. É só mais um intermediário nesse processo;
Lucas Santtana

O Spotify diz já ter pago mais de US$ 1 bilhão em direitos autorais desde que foi criado. Entretanto, alguns músicos contestam. Artistas independentes acreditam que não são contemplados. ;Tem que haver um volume muito grande para a gente ganhar um mínimo de dinheiro. A não ser que os aplicativos cobrassem um absurdo, o que também tornaria inviável, porque o povo não paga;, reclama Bárbara Eugênia. O músico Lucas Santtana concorda. ;Quem faz os conteúdos para os portais de streaming são os músicos, e a remuneração ainda é insignificante. Estão reproduzindo um procedimento que sempre existiu nas grandes gravadoras, há mais um intermediário na história e a gente não ganha nada;, reclama;

Entusiasta das novas formas de consumir música, China encontra também nas redes sociais outras maneiras de conhecer novidades. ;O Facebook ou o Twitter acabam virando uma rádio, porque as pessoas vão compartilhando um som ali e você ouve enquanto trabalha, já que seu amigo postou lá e você quer conhecer;, explica. ;Compartilhar é muito mais legal do que dar um like. Eu acho que dar um like deveria ser extinto;, brinca o músico.


20 milhões

Número de músicas disponíveis no Spotify


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