Recuperação exige mudanças na gestão

Recuperação exige mudanças na gestão

Especialistas recomendam ajustes no plano de investimentos da Petrobras e maior rigor na escolha de seus diretores para superar dificuldades atuais

» DIEGO AMORIM
postado em 13/11/2014 00:00
Uma empresa com tamanha complexidade, dívida bruta de R$ 307 bilhões ; a de todas as petroleiras ;, um plano de investimentos de R$ 220,6 bilhões (2014-2018) e metas ambiciosas requer uma operação protegida de interesses partidários e criminosos, avaliam especialistas. ;A Petrobras vai precisar de uma diretoria essencialmente técnica e de uma governança séria;, defendeu Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor financeiro da companhia.

E não foram só as recentes denúncias de corrupção que tiraram crédito da estatal, sublinha o economista e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Maurício Canedo. As cicatrizes surgiram da forma como a empresa foi sendo conduzida nos últimos anos. Barrar o reajuste dos combustíveis artificialmente, por exemplo, lembrou ele, alargou a defasagem diante dos valores praticados no mercado externo, o que levou a uma perda de R$ 60 bilhões.

Na ânsia de gerar receita para fazer explorar o pré-sal, a Petrobras queimou recursos e se enroscou nas dívidas. ;O endividamento em si não é o problema, mas está clara a ingerência política acompanhada de má gestão;, acrescentou Pedro Ivo, sócio da DXI Planejamento Financeiro. Não à toa, a orientação unânime no mercado tem sido a cautela em relação aos papéis da estatal.

Perspectiva ruim
A reprovação das demonstrações financeiras da companhia, o circo no Congresso em torno da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os desdobramentos da delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor preso em março deste ano, mantêm uma perspectiva negativa. ;O que está ocorrendo com a Petrobras não envolve só o mercado financeiro. É ruim para o país;, reforçou Canedo, da FGV. Isso porque o declínio da empresa arrasta uma série de outros setores interligados, como o de máquinas e equipamentos específicos.

Com a situação atual, alertam especialistas, o governo terá de reduzir o ritmo de investimentos e amenizar a empolgação em torno do pré-sal, cujos royalties são esperados para impulsionar a prometida ;revolução na educação;. Ex-funcionário da Petrobras, onde trabalhou por 35 anos, o professor da UERJ Hernani Chaves acompanha com tristeza o noticiário policial envolvendo a estatal. ;Sem se darem conta, em função dos panoramas políticos, acabaram levantando dúvidas quanto à credibilidade de uma grande empresa;, lamentou. ;A Petrobras foi usada. As nomeações seguiram a lógica do ;quem indica;, não da competência;, acrescentou.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação