Correio Econômico

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por Vicente Nunes / vicentenunes.df@dabr.com.br

postado em 03/04/2015 00:00

Farra com dinheiro
de trabalhadores


O governo está em alerta com a possibilidade de os fundos de pensão das maiores empresas estatais do país precisarem de socorro. Números que chegaram às mãos de técnicos da equipe econômica são considerados ;assustadores; e não podem ser atribuídos apenas à ;conjuntura ruim dos mercados;, como alegam os gestores. Há indícios claros de má gestão e de malfeitos que colocam em risco a aposentadoria de milhares de trabalhadores.


O que mais preocupa os técnicos é o fato de a farra de irregularidades nos fundos estar se dando sem que a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), responsável por regular e fiscalizar as fundações, cumpra o seu papel. Há fragilidade em tudo, do acompanhamento das operações do sistema à punição. ;A impressão que se tem é a de que os dirigentes sabem que podem fazer o que quiserem e continuarão impunes;, diz um auxiliar do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.


A meta da equipe econômica é apertar o cerco sobre os fundos das estatais, limpando, o máximo possível, as administrações de influências políticas. Nos últimos anos, o PT e o PMDB ratearam o comando das fundações de estatais, que, juntas, ostentam patrimônio superior a R$ 300 bilhões e detêm participações nos maiores negócios do país. ;Essa excessiva politização faz com que as fundações insistam em permanecer nas páginas policiais, em vez de contribuírem para o crescimento econômico. Estamos falando dos maiores investidores do país;, ressalta um técnico do Banco Central.


O alerta da equipe econômica foi ligado, sobretudo, para a Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal; para o Postalis, dos empregados dos Correios; para a Petros, dos trabalhadores da Petrobras; e para a Fapes, dos servidores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apenas as quatro fundações acumulam buraco de quase R$ 20 bilhões. No caso do Postalis, com deficit de R$ 5,6 bilhões, se a fundação vendesse todos os seus ativos e fosse fechada hoje, ainda ficaria devendo R$ 600 milhões.


A meta do governo é pressionar a Previc para que acelere o processo de punição a dirigentes de fundos envolvidos em irregularidades. De nada adianta a superintendência anunciar que está agindo se os resultados práticos não aparecem e a má gestão prevalece. ;O que se está vendo no sistema fechado de previdência complementar é estarrecedor. Ou agimos agora, ou o país terá de arcar com mais uma bomba que pode acabar caindo no colo do Tesouro Nacional;, admite um influente servidor do Ministério da Previdência.

Diante de falhas da fiscalização, fundos de pensão de estatais torram o patrimônio que garantiria a aposentadoria de milhares de pessoas

Limpeza no Tesouro

Joaquim Levy começou a mexer na estrutura do Tesouro Nacional, que se tornou, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, o maior foco de desconfiança do governo. Gente séria do Ministério da Fazenda quer saber se a ;limpeza; que está sendo feita pelo ministro vai acabar com os feudos das indicações para assentos nos conselhos de administração das empresas nas quais o órgão tem participação acionária. Há servidores do Tesouro fazendo a festa com esses ganhos extras.

Levy ficou
maior
; Com a queda de ontem de dólar e o ótimo desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, o governo acredita que conseguiu derrotar aqueles que apostavam no fracasso do ministro da Fazenda nas negociações com o Congresso. ;Na semana encurtada pelo feriado, Joaquim Levy ficou maior;, afirma um ministro com trânsito no Planalto.

Crédito
minguado

; Não é à toa que o varejo está pedindo água. Principal instrumento para as vendas, o crédito direto ao consumidor (CDC) está minguando, segundo dados do BC. Somente nos dois primeiros meses, os financiamentos de móveis e eletrodomésticos desabaram 49,4% em relação ao mesmo período de 2014. Os juros altos, a inflação e o excesso de endividamento inibem qualquer reversão desse quadro a curto prazo.

Segure o
dólar

; Apesar do alívio com os resultados dos mercados na semana ; o dólar caiu 3,4% e a Bovespa subiu 6% ;, o governo não quer que os preços da moeda norte-americana recuem demais. Cotações próximas de R$ 3,20 são vistas como cruciais para reduzir o rombo nas contas externas, que se mantém acima de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).


Aviões quase
vazios

; O Banco Central vem registrando queda acentuada nos gastos de turistas brasileiros no exterior. O tombo começou em janeiro, se acentuou em fevereiro e ficou maior em março. Há informações de que voos para o exterior estão saindo com metade dos assentos ocupados. Só estão insistindo nas viagens aqueles que já tinham pagado parte das despesas, como as passagens.

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