Os mentores da "revolução russa"

Os mentores da "revolução russa"

Ancelotti, Wenger, Bianchi... Como os intercâmbios de Tite no exterior devem levá-lo a ser o 15º técnico do Brasil em Copas. Triunfo sobre o Paraguai e tropeços de Equador e Chile confirmam hoje a classificação

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 28/03/2017 00:00


O hospício que alçou Adenor Leonardo Bachi à Seleção pode matriculá-lo oficialmente hoje em um desafio ainda mais irado: ser o 15; técnico diferente do Brasil na história das Copas. Na Arena Corinthians ; a casa do bando de loucos ; Tite tem a chance de levar hoje matematicamente o Brasil ao Mundial com quatro rodadas de antecedência. A combinação de resultados é um tanto maluca, mas possível. Se Neymar e companhia vencerem o Paraguai, às 21h45, e Equador e Chile perderem para Colômbia e Venezuela, respectivamente, o time verde-amarelo será o primeiro a ganhar o visto para a Rússia dentro de campo. A 442 dias do evento, o país sede é o único confirmado.

Há um ano, quem profetizasse a classificação para a Copa do Mundo com quatro rodadas de antecedência seria considerado doido. Sob as ordens de Dunga, o Brasil despecava para o sexto lugar justamente depois de um empate por 2 x 2 com o Paraguai, em Assunção. Na era Tite, o Brasil contabiliza sete vitórias consecutivas e lidera as Eliminatórias com 30 pontos ; sete à frente do Uruguai, segundo colocado com 23.

O sucesso de Tite nas Eliminatórias tem alguns mentores estrangeiros. Após a segunda passagem pelo Corinthians, em 2013, o técnico tirou um ano sabático e colocou os pés no mundo. Em 2014, passou, por exemplo, sete dias no Real Madrid. Acompanhou quatro treinamentos, três jogos do time comandado, à época, por Carlo Ancelotti, e jantou com o técnico italiano como convidado. Viu in loco a estrutura do clube merengue, da base ao profissional, conheceu a logística e até como Carlo Ancelotti elaborava suas preleções. Uma fonte próxima a Tite conta que ele admira, sim, Pep Guardiola e José Mourinho, mas Carlo Ancelotti é a sua referência.

Depois da passagem pelo Real Madrid, Tite zarpou, ainda em 2014, rumo a Londres. Ficou dois dias no Arsenal e assistiu ao jogo do time comandado pelo francês Ars;ne Wenger contra o Bayern de Munique. Caminhou pelos campos de treinamento, conheceu a logística e o departamento de informática do clube inglês.

Mas Tite não se contentou apenas com a Europa. Fez uma escala em Buenos Aires e interagiu com o técnico recordista de títulos na história do Boca Juniors ; Carlos Bianchi. Acompanhou treinamentos e viu in loco uma exibição do time argentino. ;Almoçamos juntos e falamos de futebol. Eu gosto muito do estilo dos times de Tite. Ele deu forte personalidade ao Brasil, mentalidade de equipe;, elogiou Carlos Bianchi em entrevista ao Correio.

Da Europa e da Argentina, Tite importou alguns trunfos do sucesso da Seleção: compactação defensiva e ofensiva, triangulações, troca de passes, marcação por setor e verticalidade. Taticamente, esses foram alguns dos segredos do sucesso do Corinthians na conquista do hexacampeonato brasileiro, em 2015. Agora, são ferramentas da arrancada verde-amarela nas Eliminatórias para a Copa do Mundo e serão colocadas em prática hoje, no Itaquerão.

Talvez, a maior sacação de Tite tenha sido não dar ouvidos ao então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, hoje, prisioneiro em Nova York. Depois do fracasso na Copa de 2014, o cartola disparou. ;Os técnicos brasileiros não precisam se reciclar com estrangeiros, nós ainda somos o único país pentacampeão do mundo;.

Novidade
Para o jogo de hoje, a Seleção tem uma novidade. O lateral-direito Fágner substitui Daniel Alves, suspenso. Nas demais posições, o time é o mesmo da goleada por 4 x 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, na última sexta-feira. Embora tenha eliminado o Brasil nos pênaltis nas Copas Américas de 2011 e de 2015, o Paraguai não vence o Brasil com bola rolando desde 2008, em Assunção, por 2 x 1.

Mesmo assim, Tite alerta. ;Eles alternam a pressão. Às vezes, pressionam na frente, e isso te induz ao erro. Também fazem boas triangulações e têm bola parada forte;, explicou. O adversário do Brasil está na sétima posição das Eliminatórias Sul-Americanas e vem de vitória por 2 x 1 sobre o Equador.


Os técnicos da Seleção Brasileira em Copas
2018 Rússia Tite
2014 Brasil Luiz Felipe Scolari
2010 África do Sul Dunga
2006 Alemanha Carlos Alberto Parreira
2002 Japão e Coreia Luiz Felipe Scolari
1998 França Zagallo
1994 EUA Carlos Alberto Parreira
1990 Itália Sebastião Lazaroni
1986 México Telê Santana
1982 Espanha Telê Santana
1978 Argentina Cláudio Coutinho
1974 Alemanha Zagallo
1970 México Zagallo
1966 Inglaterra Vicente Feola
1962 Chile Aimoré Moreira
1958 Suécia Vicente Feola
1954 Suíça Zezé Moreira
1950 Brasil Flávio Costa
1938 França Ademar Pimenta
1934 Itália Luís Vinhais
1930 Uruguai Píndaro de Carvalho


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