23 mil pegos na lei seca

23 mil pegos na lei seca

ADRIANA BERNARDES adrianabernadesdf@dabr.com.br
postado em 04/01/2018 00:00

Na última década, acompanhei como repórter mudanças importantes no trânsito, na legislação e em nossa sociedade. Tive a oportunidade de ouvir motoristas, pedestres, agentes públicos e pesquisadores que se dedicam a estudos sobre mobilidade, transportes, planejamento urbano, implicações para o tráfego de veículos e para a condução de passageiros. Deparei-me, infelizmente, incontáveis vezes com a violência no trânsito.

Sempre foram constantes as críticas à autuação dos órgãos de trânsito, em especial, à do Detran. Em diversas oportunidades, surgiram suspeitas de que haveria no Distrito Federal uma indústria da multa. Argumento que, quando confrontado, vinha acompanhado da proposta: ;Em vez de multar, o Estado deve educar;. A existência de uma indústria nunca se comprovou, mas, seguramente, existe uma minoria de condutores que são multados reiteradas vezes por desrespeitar o limite de velocidade, usar celular enquanto dirigem e conduzir o veículo alcoolizados.

Levantamento inédito do Detran-DF revela que, dos 23.185 motoristas flagrados sob o efeito de álcool entre janeiro e novembro de 2017, 263 caíram na blitz duas vezes ou mais em menos de um ano. A multa é de R$ 2,9 mil. Mas, para o condutor que reincide no prazo de até 12 meses, o valor dobra e passa a ser de R$ 5,8 mil. E o que fazer com o motorista pego seis vezes por embriaguez ao volante? Isso ocorreu no DF ano passado. A solução, seguramente exige mais do que discutir o aumento das penas e sua efetividade. O condutor, provavelmente, necessita de apoio para o tratamento de dependência ou consumo excessivo de álcool.

Antes de a lei seca entrar em vigor, em 19 de junho de 2008, número de multas por alcoolemia ao volante variava entre 300 e 800 por ano, no máximo 1 mil autuações. Desde a mudança na legislação, esse número tem crescido de forma considerável. Entre janeiro e novembro de 2017, os órgãos de trânsito flagraram 23.185 motoristas alcoolizados ao volante ; 58,7% superior ao número de 2016, quando foram emitidas 14.605 multas, segundo o Detran. Para o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, o aumento decorre da fiscalização mais eficiente.

A superação de todos esses graves problemas exigirá mais a participação de toda a sociedade no debate, inclusive, uma atuação mais firme e coordenada dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, pela construção de penas mais efetivas, por uma formação mais qualificada de condutores, por uma fiscalização e controle mais efetivos do trânsito, pela cassação da carteira de motorista infratores por longo prazo, associada a multas e a penas de prestação de serviço voluntário entre outras. Só assim conseguiremos aperfeiçoar os mecanismos de punição e educação dos condutores brasileiros. Só assim, evitaremos mais mortes desnecessárias.

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