Mesmo sem BPA, garrafas plásticas continuam tóxicas

Mesmo sem BPA, garrafas plásticas continuam tóxicas

postado em 14/09/2018 00:00
 (foto: Supri/Reuters - 12/8/12 )
(foto: Supri/Reuters - 12/8/12 )


Vinte anos atrás, pesquisadores fizeram a descoberta acidental de que o infame ingrediente plástico conhecido como bisfenol A ou BPA vazou acidentalmente de gaiolas plásticas usadas para abrigar camundongos fêmeas em um laboratório, causando o aumento súbito de ovos cromossomicamente anormais nos animais. Agora, a mesma equipe está de volta para reportar, na revista Current Biology, que a variedade de bisfenóis usados para substituir a substância tóxica em garrafas, xícaras, gaiolas e outros itens parecem ter problemas semelhantes. ;Esse artigo relata uma estranha experiência de déjà vu em nosso laboratório;, diz Patricia Hunt, da Universidade Estadual de Washington.

A descoberta foi feita como a anterior, acidentalmente, e ocorreu quando os pesquisadores notaram uma mudança nos dados sobre animais de controle. Ao rastrear o problema, eles chegaram a gaiolas contaminadas. Mas os efeitos, desta vez, diz Hunt, foram mais sutis do que antes. Isso porque nem todos os recintos tinham defeito de fábrica. Os cientistas conseguiram determinar que os ratos estavam expostos aos ingredientes de substituição dos bisfenóis e também perceberam que a condição causou problemas na produção de óvulos e espermatozoides.

Depois de controlar a contaminação, a equipe conduziu estudos adicionais controlados para testar os efeitos de vários substitutos de bisfenóis, incluindo um muito comum, conhecido como BPS. As pesquisas confirmam que essas substâncias produzem anomalias cromossômicas bem semelhantes àquelas observadas tantos anos antes em estudos de BPA. Hunt acrescenta que, embora a determinação dos níveis de segurança em relação à exposição humana seja difícil de determinar, os experimentos controlados foram conduzidos usando baixas doses de BPS e de outros substitutos de bisfenóis.

Mutações

Se os mesmos problemas forem verificados em humanos, como foi demonstrado no caso do BPA, eles podem ser transferidos para as gerações futuras por meio de mutações nas células germinativas. Mesmo se fosse possível eliminar totalmente os contaminantes do bisfenol, os efeitos ainda persistiriam por cerca de três gerações. Hunt diz que mais trabalho é necessário para determinar se alguns substitutos de bisfenóis podem ser mais seguros do que outros e observa que existem dezenas desses químicos em uso.

A pesquisadora também suspeita que outros produtos industriais amplamente usados e conhecidamente desreguladores do sistema endócrino, incluindo parabenos, ftalatos e retardadores de chama, podem causar efeitos adversos similares na fertilidade. ;Atualmente, as agências reguladoras encarregadas de avaliar a segurança química não conseguem acompanhar a introdução de novas substâncias no mercado. Como os substitutos de bisfenóis ilustram, é mais fácil e mais rentável substituir uma substância química por análogos estruturais, em vez de descobrir o que a tornam perigosa;, escreveram os pesquisadores. O conselho de Hunt aos consumidores é simples: livre de BPA ou não, ;produtos de plástico que mostram sinais físicos de danos ou envelhecimento não podem ser considerados seguros;.



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