EUA reforçam seu apoio à oposição

Crise política se torna ponto de embate entre a Rússia e países ocidentais. População teme estado de exceção

postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Thomas Peter/REUTERS)
(foto: Thomas Peter/REUTERS)


Kiev ; Enquanto opositores ao governo da Ucrânia manifestavam temores sobre a instauração de um estado de exceção no país, o secretário de Estado americano, John Kerry, garantiu ontem que os Estados Unidos e a Europa estão ao lado do povo ucraniano. ;A luta por uma futura Europa democrática é mais importante hoje na Ucrânia que em qualquer outra parte", declarou o chefe da diplomacia americana, em discurso na Conferência de Munique sobre Segurança.

A posição favorável de Kerry à oposição do país é a mais clara expressada até o momento por Washington. Em paralelo ao fórum em Munique ; onde esteve com o chanceler da Ucrânia, Leonid Kozhara ;, o secretário de Estado se reuniu com Vitali Klitschko e Arseni Yatseniuk, líderes da oposição no país. A dupla também expressou suas preocupações aos chanceleres da França, Laurent Fabius, da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e a chanceler da União Europeia (UE), Catherine Ashton. Entre as reuniões, Yatseniuk considerou ;muito provável; que as autoridades ucranianas cogitem ;recorrer à força, inclusive com a participação do Exército;, a fim de colocar fim aos protestos contra o governo, que já duram dois meses.

Grigori Nemyria, dirigente do partido opositor Batkivshchina, acredita que as investigações dos serviços de segurança ucranianos sobre a suposta ;tentativa de tomada de poder; ; anunciada na sexta-feira depois de autoridades terem examinado documentos apreendidos em dezembro na sede do partido ; demonstram ;a preparação da instauração do estado de exceção;. Embora tenham indicado anteriormente que não interviriam nos recentes distúrbios políticos, as Forças Armadas da Ucrânia cobraram do presidente Viktor Yanukovitch a adoção de ;medidas de emergência;, na sexta-feira.

CONVITE A onda de protestos no país começou em novembro, depois de Yanukovitch desistir repentinamente de assinar um acordo de associação com a UE, negociado por meses. Ele optou por uma aproximação à Rússia, que ofereceu um crédito de US$ 15 bilhões e uma redução do preço do gás. Em Munique, Kerry ponderou que os ucranianos ;lutam pelo direito de associar-se aos que os ajudam a concretizar suas aspirações;. Em uma aparente referência a Moscou, o secretário de Estado acrescentou que o povo da Ucrânia ;considera que seu futuro não depende de um único país;.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, reiterou que o ;futuro da Ucrânia pertence à UE; e que o convite para a integração continua de pé. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, acusou os europeus de estimular o radicalismo em Kiev. ;Em que medida está relacionado o apoio às manifestações de rua cada vez mais violentas com a promoção da democracia?;, questionou, durante a Conferência sobre Segurança. Lavrov afirmou que ;políticos europeus proeminentes estão, na verdade, estimulando este tipo de situação;. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, anunciou que visitará Kiev novamente na próxima semana para tentar ajudar a resolver o conflito, que deixou pelo menos quatro mortos e mais de 500 feridos.

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