PPS nacional intervém na Executiva local

PPS nacional intervém na Executiva local

Direção nacional da legenda rejeita o acordo para compor com o ex-governador José Roberto Arruda, que teria Eliana Pedrosa como candidata a vice-governadora. A parlamentar foi destituída da presidência da sigla no DF. Questão pode ir para a Justiça

» ALMIRO MARCOS
postado em 02/07/2014 00:00
 (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press)
(foto: Janine Moraes/CB/D.A Press)

O acordo firmado pelo PPS do Distrito Federal com ex-governador José Roberto Arruda (PR), levou a direção nacional do partido a anunciar intervenção no diretório local e impedir a distrital Eliana Pedrosa (PPS) de ser candidata a vice na chapa do ex-governador. Ela ainda foi destituída da presidência regional da legenda. Uma comissão provisória foi nomeada pelo presidente da sigla, Roberto Freire (PPS-SP), e passará a responder pela definição das coligações nas eleições deste ano na capital federal. Assim, será mantida a indicação de Adão Cândido, secretário nacional de comunicação do PPS, para a vaga de vice do candidato tucano Luiz Pitiman.

A principal justificativa da Resolução Orgânica n; 7, assinada, na segunda-feira, por Roberto Freire, é que o partido tinha deliberado, anteriormente, que estaria na oposição ao projeto político capitaneado pelo PT nas eleições deste ano. Um documento (Resolução n; 2/2014) foi publicado no Diário Oficial da União, em 21 de fevereiro último, e condicionava a autorização prévia da Executiva Nacional do PPS à aprovação das coligações regionais com grupos que apoiam a candidatura do PT. Como o PR nacional anunciou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, na última segunda-feira, o PPS entendeu que o acordo no DF dependeria de consulta à direção do partido e, portanto, não poderia ser tomada pela instância local.


Na noite de segunda-feira, Eliana Pedrosa participou de um evento na sede regional do PR, na Colônia Agrícola Samambaia, onde anunciou que seria vice na chapa de Arruda e discursou com grupo, que contava com a presença do senador Gim Argello (PTB), do presidente regional do DEM, ex-deputado federal Alberto Fraga, e das filhas do ex-governador Joaquim Roriz (PRTB), a deputada federal Jaqueline (PMN) e a deputada distrital Liliane (PRTB). A distrital do PPS foi recebida com festa pela militância. No fim do encontro, ela garantiu que não mudaria de opinião, apesar da divergência com a direção do partido. ;Eu não volto atrás na minha decisão. E espero que tudo seja confirmado no transcorrer dos próximos dias;, afirmou.

Eliana Pedrosa acrescentou que a Executiva Regional do PPS tinha sido constituída em congresso e que era definitiva, tendo seguido todos os trâmites da legislação eleitoral. ;Fizemos tudo corretamente. Mas nós ainda buscamos um entendimento com a nacional;, completou. Roberto Freire, no entanto, não quis saber de conversas com o grupo. Na noite de segunda, ele disse ao Correio, por telefone, que qualquer tipo de acordo estava fora de cogitação. Ele antecipou a possibilidade de intervenção local. ;Essa aliança não terá nosso apoio;, declarou.


Decisão na Justiça
O PPS nacional indicou cinco nomes para a comissão interventora no DF, sendo um deles o de Adão Cândido, candidato a vice de Pitiman. A presidência deve ficar com Francisco Carlos de Andrade. O grupo é completado por Cláudio Vitorino, Anderson Martins e pela educadora Tereza Vitale. ;Foi decidido que o acordo com o PSDB está mantido em Brasília. Vamos agora tratar da definição dos nomes das nossas nominatas. Precisamos estabelecer os critérios para as coligações proporcionais;, explicou Tereza. Parte da comissão ficou reunida até altas horas na noite de ontem com membros do PSDB local. A situação da distrital Eliana Pedrosa permanece indefinida. Não se sabe se qual cargo ela disputará. Há até a possibilidade de negociarem para que ela ocupe a vice em uma chapa encabeçada por Pitiman. Até o fechamento desta edição, ela não deu retorno sobre seu posicionamento. Não está descartada a possibilidade de ela recorrer à Justiça, a fim de fazer valer a decisão da Executiva Regional do partido.

No quartel general de José Roberto Arruda, nada foi dito oficialmente. Os arrudistas aguardam que Eliana Pedrosa resolva a situação com o PPS para confirmá-la como vice. Um plano B seria o retorno do nome de Liliane Roriz para a vaga na chapa do ex-governador. Ela anunciou a desistência no mês passado e disse que se candidatará à reeleição à Câmara Legislativa. No entanto, com a provável saída de Eliana Pedrosa, ela poderia voltar a compor a chapa majoritária. Ontem, vários emissários de Arruda procuraram a deputada, que não deu nenhuma resposta. A irmã da distrital, a deputada federal Jaqueline Roriz, chegou a ser cotada, mas prefere disputar a reeleição à Câmara dos Deputados.

Depois do acordo praticamente certo com o PPS, o PSDB do DF agora trabalha para conseguir atrair o DEM para a chapa de Luiz Pitiman. Ocorre que o presidente local do Democratas, Alberto Fraga, também está enfrentando resistência nacional do acordo firmado com Arruda, que já foi filiado ao partido. O senador José Agripino Maia (RN), presidente da legenda, é contra a coligação. Ontem, o partido se reuniu para tratar sobre o tema, mas nenhuma decisão oficial tinha sido tomada.

Segunda vez

Essa não é a primeira intervenção nacional no diretório do PPS no DF nos últimos anos. Em maio de 2012, Roberto Freire teve que dissolver a executiva distrital e obrigar o partido a deixar a base do governador Agnelo Queiroz (PT). A sigla tinha se posicionado contrária aos petistas nacionalmente e estabeleceu isso como critério para todos as unidades da federação. A ordem vinda de cima levou à saída dos deputados distritais eleitos Alírio Neto (hoje no PEN), então Secretário de Justiça do GDF, e Cláudio Abrantes (hoje no PT), além da suplente Luzia de Paula (hoje no PEN).


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação