Alerta contra ebola no DF

Alerta contra ebola no DF

Hospital privado de Brasília adota procedimento de segurança para analisar caso suspeito. O paciente, comissário de bordo de companhia aérea, apresentava vômitos e diarreia. Houve isolamento na unidade, que só voltou à normalidade mais de duas horas depois

MANOELA ALCÂNTARA SAULO ARAÚJO
postado em 24/10/2014 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

O pânico do ebola chegou a Brasília. Uma infecção intestinal mobilizou profissionais da saúde e levou ao isolamento um dos maiores hospitais privados da capital. Por duas horas, ninguém podia sair do Santa Lúcia ou entrar no hospital, localizado no fim da Asa Sul. Um comissário de bordo que chegou do Panamá na quarta-feira passou mal no Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek. Teve diarreia e vômito e, mesmo sem ter ido a nenhum país africano, acabou sendo tratado como um paciente com suspeita do vírus letal que já matou 4.877 pessoas no planeta até 19 de outubro, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS).


Até ter a verificação de que o homem não havia contraído a doença, funcionários, pacientes e acompanhantes viveram momentos de angústia. Alguns enfermeiros se negaram a entrar no hospital para trabalhar. Representantes do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF foram ao local denunciar que não havia treinamento para a situação. O isolamento ocorreu em torno das 4h50 ; quando as pessoas chegaram para a troca de plantão foram impedidas de entrar. As atividades retornaram por volta das 7h. ;Seguimos o protocolo: isolamos e chamamos o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cieves) para analisar o caso. Logo, a suspeita foi descartada;, afirmou o infectologista do hospital David Urbaez.

Rapidez
Pouco tempo antes, às 3h39, o comissário de bordo panamenho passou por exame no aeroporto, dentro da aeronave que faria a próxima viagem. Segundo a Inframérica, empresa que administra o terminal, o posto médico foi acionado e o atendimento concluído com rapidez. ;Todos os protocolos de segurança e a entrevista foram realizados pela equipe médica, e a suspeita do vírus ebola foi descartada;, informou a empresa.


Como o comissário ainda tinha mal-estar, a Copa Airlines, empresa para qual trabalha, decidiu encaminhá-lo ao hospital. ;É o procedimento. Nenhum colaborador teve contato com a África;, disse a assessoria de imprensa da Copa Airlines. Embora até a noite de ontem ninguém soubesse precisar como a suspeita de ebola surgiu, a Inframérica e a Copa acreditam que os profissionais do Santa Lúcia foram os primeiros a apontar a possibilidade.


;Quando existe um alerta de uma doença tão letal, é comum ter falsos alardes. Todo elemento que possa ter uma remota chance deve ser investigado. A situação pode ter sido superestimada por alguém: um médico, um acompanhante, um enfermeiro, não há como precisar. Mas o importante é que o excesso de zelo com a segurança mostra o interesse em proteger a população;, disse Urbaez. Ele acrescenta que nos Estados Unidos os casos secundários de ebola ocorreram devido à ;desqualificação; de sintomas. ;Isso deixou uma grande lição para que ficássemos muito alertas;, acrescentou. Segundo ele, todos os dias, o hospital recebe casos parecidos, mas o fato de ser um funcionário de uma empresa aérea com rotas internacionais provocou a investigação.


Os responsáveis pelo hospital chamaram a Anvisa e a Secretaria de Saúde. Os servidores do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do GDF descartaram a suspeita do vírus rapidamente. Em duas horas, chegou-se à conclusão de que não era ebola. Não foi necessário nem encaminhar amostra de sangue para que o Instituto Evandro Chagas, em Belém ; centro de referência no diagnóstico da doença no Brasil ; fizesse o teste. Exames apontaram uma infecção intestinal e o paciente teve alta às 11h30.

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