Pacote de investigações no apagar das luzes

Pacote de investigações no apagar das luzes

A cinco dias do fim oficial da CPMI, parlamentares convocam ex-diretor da Petrobras, marcam acareação entre Cerveró e Paulo Roberto Costa e quebram sigilo de tesoureiro do PT

AMANDA ALMEIDA NAIRA TRINDADE
postado em 19/11/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press
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(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )


A prisão de 23 investigados e o avanço da apuração do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na Operação Lava-Jato fizeram a CPMI da Petrobras tirar da gaveta a convocação do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Em reunião ontem, os parlamentares aprovaram ainda uma acareação entre os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, além de outras duas convocações. As aprovações, no entanto, podem ser inócuas, já que o trabalho do colegiado termina oficialmente no domingo e pode não ser prorrogado.

A quebra de sigilo de dados de Vaccari foi a votação mais polêmica. Integrantes da base aliada tentaram derrubar o pedido, que foi aprovado por 12 votos a 11. ;O fato é que o senhor João Vaccari não tem, neste instante, nenhum indiciamento, não está na relação dos que, ou o Ministério Público ou a Justiça, encaminharam pedido de prisão, ou seja, é uma pessoa que, após prestar depoimento, foi verificado que não tinha nenhuma situação em curso;, defendeu o senador Wellington Dias (PT-PI). Vaccari foi citado nas delações premiadas de Costa e do doleiro Alberto Youssef como envolvido no esquema de pagamento de propina por grandes empreiteiras a agentes políticos em troca de contratos na Petrobras.

O requerimento contra Vaccari adormecia na CPMI desde maio. Todos as outras aprovações de ontem também poderiam ter sido analisadas há meses. O pedido de acareação entre Costa e Cerveró é de 10 de setembro. A convocação de Duque, preso na última sexta-feira e acusado por Costa e Youssef de receber ;comissões; das empreiteiras, também é de maio.

Os parlamentares convocaram ainda o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras Ildo Sauer. Em entrevista, ele disse que o governo do ex-presidente Lula permitiu que grupos de parlamentares se reunissem com dirigentes da Petrobras para obter ;ajuda;. Embora a oposição tenha prometido se empenhar na convocação dos 20 executivos de grandes empreiteiras ; e grandes doadoras de campanha ; presos na sexta-feira, o assunto não foi tratado na reunião.

Estratégia
Depois de esvaziar a última sessão da CPMI, na semana passada, a base aliada resolveu comparecer à reunião de ontem. Nos bastidores, a avaliação foi de que uma nova ausência em massa repercutiria mal em contrapartida à pressão da oposição. A base aliada conta com outra carta na manga para desidratar as investigações. O prazo para terminar os trabalhos acaba no domingo e ainda não há assinaturas suficientes para prorrogar a investigação por mais 30 dias.

De acordo com o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), já há assinaturas suficientes no Senado, mas, na Câmara, apenas 49 dos 171 deputados necessários subscreveram o requerimento ; o PSDB diz que tem 130 apoiamentos. Diferentemente de quando foram recolhidas assinaturas para a criação da CPMI, o PMDB é um dos partidos que não estão demonstrando empenho na prorrogação. De lá para cá, surgiram nas investigações os nomes do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, como ligados ao PMDB e envolvidos no escândalo.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), reconhece a dificuldade. A data limite para o recolhimento é sexta. Mas ele diz que, caso não consigam até amanhã, quando os deputados ainda estão em Brasília, ;já era;. ;A dificuldade é que falta juntar as assinaturas; falta é ir atrás. E por isso entregamos na mão do Imbassahy (PSDB-BA), que tem uma estrutura melhor para poder ir atrás;, afirmou. As investigações acabaram atingindo também oposicionistas. Paulo Roberto Costa disse que pagou propina ao ex-senador Sérgio Guerra (PSDB), morto este ano, para que esvaziasse outra CPI da Petrobras, criada em 2009.

;O fato é que o senhor João Vaccari não tem, neste instante, nenhum indiciamento, não está na relação dos que, ou o Ministério Público ou a Justiça, encaminharam pedido de prisão;
Wellington Dias (PT-PI), senador


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