Supermercados otimistas em 2015

Supermercados otimistas em 2015

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Asbra) acredita que o setor deve continuar a crescer até 2,5%, mesmo índice deste ano. Para ele, os impostos ainda atrapalham os empresários

NATHÁLIA CARDIM
postado em 02/12/2014 00:00
 (foto: Brenos Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Brenos Fortes/CB/D.A Press)

O setor de supermercados fatura quase R$ 6 bilhões por ano no Distrito Federal e garante 100 mil empregos, metade deles diretos. ;Uma curiosidade é que os supermercados são os lugares que mais oferecem empregos para as pessoas sem qualificação, ou seja, dão a elas a oportunidade de conquistar o primeiro trabalho com carteira assinada;, afirmou ao Correio o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Asbra), José Fagundes Maia Neto.


Segundo ele, na capital federal, apesar de o setor ter registrado crescimento anual que variou de 1,5% a 2,5%, José Fagundes avalia que a expansão seria muito maior caso não houvesse tantos impostos. Os valores dos tributos pagos pelos empresários brasilienses, por exemplo, alcança R$ 1,5 bilhão a cada ano. Apesar disso, o crescimento na área nos últimos anos continua. Essa condição é atribuída ao aumento do poder aquisitivo da população. Com a distribuição de renda, o poder de compra se fortaleceu e manteve em alta as vendas.


Entre os principais desafios que o setor supermercadista deverá enfrentar em 2015, estão a instabilidade econômica e o cenário de recessão técnica instalado no Brasil. ;As pessoas podem deixar de comprar um alimento ou outro, mas não deixam de comer;, explica o presidente da Asbra. Confira abaixo a entrevista concedida por ele ao Correio.

Como a Asbra avalia o
desempenho do setor
no Distrito Federal em 2014?
Neste ano, nós tivemos crescimento médio, que variou de 1,5% a 2,5%. É um desempenho que vem se mantendo ao longo dos últimos anos. Não com o crescimento exponencial que o segmento poderia apresentar, mas com os benefícios de alguns programas do governo e com o aumento da renda média do brasileiro. Esse foi o grande fator que gerou um poder de compra melhor para as famílias. Acreditamos que isso deve se repetir no próximo ano.

E quais são as expectativas para 2015?
O empresário hoje, principalmente o supermercadista, é um entreposto, pois compra da indústria e revende. Essa incerteza sobre o que será o próximo ano em todos os setores no Brasil paira também sobre a gente. Estimamos um aumento de 2,5% para 2015, mas ainda estamos receosos para falar em investimentos.

Como o baixo crescimento da economia e a alta da inflação afetam o setor no DF?
Como Brasília é uma cidade onde existem muitas pessoas que trabalham no setor público e o poder aquisitivo é alto, a capacidade de compra é programada. Esse é um fator interessante para os supermercados. No entanto, a taxa de inflação alta leva o consumidor a controlar as compras, e, dessa forma, nós temos dificuldade de alavancar na economia.

Mesmo com a crise, a Asbra estima que haja elevação nas vendas para 2015?
A elevação dos preços deve continuar a pressionar o setor no próximo ano, mas acreditamos que o consumidor manterá o consumo. Além de questões de mercado, o país continuará exportando alimentos para o exterior.
Quais serão os principais


Desafios para o próximo ano?
Com certeza, a instabilidade econômica. Vamos ter um cenário de recessão técnica. Acreditamos que isso deve afetar o setor como um todo, mas, apesar disso, não diminuirá o consumo. As pessoas podem deixar de comprar um alimento ou outro, mas não deixam de comer. O volume de compras continua.

Os supermercados investem em novos produtos para contornar essa situação?
Novidades de fábrica são importantes. Os supermercados investem em serviço, enquanto, a indústria, na produção. Existe uma concorrência muito grande entre a indústria. Todo ano, eles renovam as linhas de produtos, tiram alguns itens de circulação e colocam outros. O mercado, em geral, passou a ter um formato diferente do que alguns anos atrás. Os clientes estão mais exigentes, querem variedade de compras e qualidade no atendimento.

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