Os 7 x 1 ainda doem

Os 7 x 1 ainda doem

Onze meses e dois dias após o vexame na Copa do Mundo -- que terminou com derrota por 3 x 0 para a Holanda, aqui em Brasília --, torcida mantém pé atrás com o time. Vaias, público baixo e prejuízo de bilheteria comprovam falta de empolgação com a Copa América

RODIGO ANTONELLI
postado em 14/06/2015 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)


Não há mais Hino Nacional cantado a plenos pulmões nem apoio nos momentos difíceis ; e muito menos o tradicional ;eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor;. A relação da torcida com a Seleção Brasileira está abalada desde o traumático fim da Copa do Mundo do ano passado e foi isso que os comandados de Dunga sentiram na pele na volta da equipe ao Brasil, onde houve a preparação para a Copa América. Nos dois amistosos que fizeram no país antes de embarcar para o Chile, as vaias e a falta de público chamaram mais atenção do que o futebol em si.

O primeiro adversário do Brasil, às 18h30 de hoje, será o Peru, comandado pelo neoflamenguista Paolo Guerrero (leia mais na página 2). A Seleção de Dunga estreia em uma competição oficial 11 meses e dois dias depois dos3 x 0 diante da Holanda, goleada sofrida aqui em Brasília, e que só piorou o moral tão abalado pelo vexaminoso 7 x 1 para a Alemanha, em Belo Horizonte: a Copa do Mundo começou com cinco vitórias e acabou com dois massacres.

Nem as 10 vitórias seguidas após o Mundial, todas em amistosos, foram capazes de reconquistar a confiança. O número de brasileiros que vão acompanhar a Seleção in loco, no Chile, será menor do que em outras edições do torneio, mas nem mesmo a distância, pela tevê, a mobilização deve ser muito grande.

Presente na despedida do Brasil na Copa, naquela derrota de 3 x 0, no Mané Garrincha, o estudante Lucas Reis, 23, se diz desiludido e diz que só vai acompanhar a Copa América porque é fanático por futebol. ;Se fosse só Seleção, eu não assistiria. O futebol brasileiro está uma vergonha, jogos muito ruins. Depois daquele jogo contra a Holanda, eu não me empolguei mais;, confessa, acrescentando que espera bons jogos de Argentina e Chile, mas não do time de Dunga.

Lucas lembra do silêncio no Mané Garrincha depois que a Seleção tomou dois gols da Holanda em 16 minutos. ;Estava com meu irmão, e não acreditávamos que estava acontecendo de novo. Para nós, foi até pior do que o 7 x 1 para a Alemanha, porque estávamos ao vivo. Eram 70 mil pessoas, mas um silêncio assustador;, recorda, antes de sentenciar. ;Acho que vai ser muito difícil recuperar nosso orgulho. Talvez só na próxima Copa.;

Confiança

Mesmo entre os que estiveram na melancólica partida contra a Holanda, no Mané, há quem esteja mais otimista. Natália Marques Luz, 28 anos, começa a se empolgar com a aproximação da Copa América. ;Não perco um jogo do Brasil. Apesar do vexame no ano passado, acho que temos que manter o apoio. Estou reunindo a família para ver a estreia;, conta a arquiteta.

O filho dela, Rafael, 5 anos, também espera momentos melhores da Seleção. Apesar de ainda muito novo, ele já tem memórias que prefere esquecer da amarelinha. ;Lembro que torci muito para o goleiro, contra a Holanda, para a gente não tomar mais gol. Era o Julio Cesar. Tomara que agora a gente faça mais gols do que tome;, resumiu, inocentemente, o menino que herdou da mãe a paixão pelo futebol ; e a confiança de que dias melhores virão.



Críticas em São Paulo
No estádio do Palmeiras, contra o México, a Seleção ouviu vaias no início do jogo, porque não mostrava bom futebol. As manifestações negativas foram interrompidas após o primeiro gol, de Philippe Coutinho, mas voltaram no decorrer do jogo. Sobrou até para o volante Fred, do Shakhtar: quando foi anunciado no telão, a torcida aumentou as vaias, o confundindo com o Fred do Flu, criticado camisa 9 na Copa.



Beira-Rio dá prejuízo
Com apenas 22.305 ingressos vendidos dos 40.050 colocados à disposição, o amistoso do Brasil contra Honduras, em Porto Alegre, deu prejuízo à Pitch International, empresa que organizou a partida. Por contrato, ela paga à CBF R$ 3,7 milhões por jogo. A renda obtida no Beira-Rio foi de ;apenas; R$ 2,2 milhões. Assim, a empresa ficou R$ 1,5 milhão no vermelho.

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