Morre idosa infectada com KPC

Morre idosa infectada com KPC

A mulher, de 82 anos, estava internada no Hospital Regional de Sobradinho desde o início de junho. Foi o segundo caso de morte de paciente com a superbactéria este ano no DF. Outros três contaminados com Enterococo também não resistiram

Manoela Alcântara Roberta Pinheiro Ailim Cabral
postado em 27/06/2015 00:00

Uma idosa de 82 anos é a segunda vítima a morrer após ser infectada pela bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) este ano no Distrito Federal. A mulher procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em maio, com pneumonia, mas acabou se contaminando com o micro-organismo. Ela foi transferida para o Hospital Regional de Sobradinho (HRS) no início de junho, depois de confirmada a infecção por KPC. Com o caso, chega a cinco o número de mortes no DF, em 2015, após contaminação por superbactéria. Três deles tinham Enterococo, e uma idosa de 86 anos, KPC. Os quatro casos aconteceram no Hospital Regional de Taguatinga (HRT).


O diretor do HRS, Manoel Luiz Neto, confirmou a morte, mas ressaltou que não ocorreu em decorrência direta da KPC. O atestado de óbito aponta que a idosa teve falência múltipla dos órgãos por conta de uma doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada por pneumonia, insuficiência renal e um acidente vascular cerebral. ;Ela tinha a infecção, estava usando antibiótico para KPC, mas tinha uma série de fatalidades que aumentaram o risco de morte;, afirmou.


A idosa morreu por volta das 16h e é considerada o primeiro caso em Sobradinho. O diretor lembra que, desde o momento em que a infecção foi confirmada, ela foi mantida em isolamento. ;A cultura é feita e esperamos o resultado. Desde que confirmamos a infecção, tomamos todas as medidas cabíveis. Hoje, não faltam mais antibióticos, luvas, máscaras, álcool no hospital. A melhor forma de prevenir a superbactéria é com higiene correta;, disse Neto.


Em 9 de junho, a Secretaria de Saúde do DF (SES/DF) divulgou o Plano de Enfrentamento da Resistência Bacteriana. Em um primeiro momento, foram priorizadas as Unidades de Terapia Intensiva adulto, pediátrica e neonatal, locais onde o impacto e a frequência de bactérias multirresistentes são maiores. O objetivo do projeto era evitar que a situação saísse do controle.


Na prática, o plano pretendia aumentar a fiscalização dos procedimentos de segurança adotados dentro dos hospitais e garantir que a rede de saúde esteja abastecida dos insumos necessários para a aplicação dos procedimentos. O enfrentamento tem duas partes: o diagnóstico da situação e o plano em si, que tem três premissas. São elas: a garantia de fornecimento de antimicrobianos de forma sustentada; a garantia de fornecimento de insumos para limpeza e desinfecção das superfícies e materiais; e a incorporação de farmacêutico na equipe multidisciplinar das áreas críticas. De acordo com a pasta, o plano ;está sendo implementado em todas as unidades da rede;.

Memória

Em toda a rede

A Secretaria de Saúde do DF admitiu, no início de junho, que toda a rede pública e algumas unidades privadas têm a superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). São pelo menos 200 pessoas colonizadas, ou seja, que têm a bactéria no organismo. Dessas, mais de 100 desenvolveram a infecção.


As mortes de pacientes com superbactéria surgem desde 28 de maio.Todas as vítimas, até agora, tinham o mesmo perfil: idosas com doenças crônicas internadas há pelo menos um mês. Os primeiros casos da série de contaminações foram descobertos no Hospital Regional de Taguatinga, onde ocorreram quatro mortes. No início de junho, o atendimento na unidade chegou a ser interrompido. Para voltar a funcionar normalmente, o HRT passou por uma limpeza a fim de eliminar as superbactérias. As cortinas, os lençóis e as capas de travesseiros foram retirados e lavados. Equipamentos médicos, camas e outros itens do mobiliário foram desinfetados com álcool 70%. As paredes e o chão também passaram por limpeza.

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