Milhares continuam a chegar

Milhares continuam a chegar

postado em 03/09/2015 00:00
 (foto: Attila Kisbenedek/AFP)
(foto: Attila Kisbenedek/AFP)



A Europa continuou assistindo ontem ao desembarque em massa de refugiados da Síria e de outros países em conflito no Oriente Médio e no norte da África, além de conviver diariamente com o drama de milhares de recém-chegados que tentam se deslocar pelo continente e encontrar um novo lar. Pelo segundo dia seguido, imigrantes acampados em torno da estação ferroviária central de Budapeste protestaram contra o governo húngaro, que os impede de embarcar com destino à Alemanha. A Itália, uma das portas de entrada pelo litoral Mediterrâneo, socorreu e abrigou temporariamente mais 3 mil estrangeiros resgatados no mar, enquanto o porto de Pireu, em Atenas, recebeu ontem mais 4,5 mil que haviam chegado à ilha de Lesbos.

;A resolução dessa crise migratória demanda a intervenção imediata da União Europeia (UE), e a questão tem de ser levada às Nações Unidas;, disse o vice-ministro grego da área, Joannis Mouzalas. O governo de Atenas estabeleceu um núcleo de coordenação para enfrentar a emergência, com representantes dos ministérios do Interior e da Saúde e das forças de segurança. Ajuda financeira foi enviada às ilhas do Mar Egeu, que se tornaram uma das principais portas de entrada dos refugiados que buscam se fixar em território da UE.

Também na Itália, aonde centenas de imigrantes chegam diariamente, desde o começo do ano, as autoridades tratam de equilibrar-se entre o dever humanitário de salvar vidas em risco na travessia do Mediterrâneo e a sobrecarga representada pelo acolhimento. ;Foi um dos dias mais difíceis que tivemos. Socorremos quase 2 mil pessoas, apesar de nosso trabalho ser o de oferecer cuidados médicos;, diz um tuíte na conta da organização Médicos sem Fronteiras (MSF). O relato se refere à ação de barcos da MSF na costa italiana, onde a Marinha e a Guarda Costeira resgataram mais 1.219 .

A situação é crítica também em países até aqui vistos como pontos de passagem para os recém-chegados ; a maioria tem por meta os países mais ricos do bloco, como Alemanha, França e Reino Unido. A Hungria, que nos últimos meses ergueu cercas de arame e outros obstáculos físicos para conter o influxo de imigrantes, administra desde o fim de semana o impasse em plena capital, onde 2 mil estrangeiros estão acampados nos arredores da estação de Keleti. O governo de Budapeste alega que as normas da UE o obrigam a barrar o embarque de quem não tenha visto de entrada no espaço europeu.

Ontem, pelo segundo dia, cerca de 200 se manifestaram gritando ;Alemanha, Alemanha; e ;queremos partir;. Apenas no mês passado, 50 mil estrangeiros ingressaram no país. ;Se a Europa nos deixa entrar, por qu não nos concede visto?;, questionou um sírio foragido de Aleppo.

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