Eixo capital

Eixo capital

Ana maria campos/anacampos.df@dabr.com.br
postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 27/9/14 )
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 27/9/14 )


Nas mãos de Sérgio Moro

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou para a força-tarefa do Paraná as investigações que tratam da suposta cobrança de propina pelo ex-senador Gim Argello (PTB-DF) para aliviar empreiteiras de prestarem contas à CPI da Petrobras. Os procuradores do Paraná vão analisar as suspeitas de uso desse dinheiro em campanhas do Distrito Federal, como foi descrito em delações de empresários e do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo Dilma no Senado. Com a competência do caso transferida para o berço da Lava-Jato, Gim e seu grupo político serão julgados pelo juiz Sérgio Moro, o implacável.

Arquivada representação da Pandora
A corregedora-nacional de Justiça, Nancy Andrighi, arquivou a representação do Conselho Federal da OAB contra o juiz Atalá Correia. De acordo com a queixa dos advogados, o magistrado, em conluio com promotores de Justiça, teria prejudicado a defesa de réus da Operação Caixa de Pandora. Para a ministra, que integra o plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o caso não merece ser discutido.


Foro sem privilégio

A prisão do ex-vice-governador Benedito Domingos (PP) é mais uma demonstração de que, no país de hoje, não vale a pena ter foro especial. Ele foi condenado pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF quando ainda era deputado distrital. Por causa do cargo, o processo pulou a primeira instância. Outros réus na mesma ação ainda não chegaram à segunda instância e, por isso, estão em liberdade.

Herança
Benedito Domingos sempre comandou o PP. Desde que se tornou inelegível, por enquadramento na Lei da Ficha Limpa, o ex-deputado desapareceu das discussões políticas, mas mantinha força de decisão na legenda. Na prisão, cumprindo pena por fraude à licitação, o ex-vice-governador do DF deixa o partido à deriva. O presidente regional do PMDB, Tadeu Filippelli, deve ficar com o espólio e acumular o poder.

Em campanha
Petistas de Brasília diziam ontem que há tempos não acreditavam na possibilidade de Lula concorrer novamente à Presidência da República, mas agora a ordem do ex-presidente é preparar a militância para a campanha de 2018.

Bote salva-vidas
Por incrível que pareça, a entrada de Lula na Lava-Jato pode ser boa para o PT do DF. Apesar da rejeição e dos desgastes provocados pelo governo Agnelo Queiroz, uma parcela da cidade mantém a paixão vermelha. Dificilmente o partido elegerá em 2018 um governador, mas o discurso em defesa de Lula pode ser o caminho para candidaturas ao Congresso e à Câmara Legislativa.

Equipe da saúde
O secretário de Saúde, Humberto Fonseca, organiza a nova assessoria. O jornalista Rudolfo Lago, analista político que trabalhou em vários veículos, assumirá a chefia da comunicação. Humberto pretende também levar para a equipe servidores do Senado,
sua casa de origem.


O brilho do Museu da República

A bela foto do Museu da República, feita pelo arquiteto e urbanista José Roberto Bassul, foi uma das 50 selecionadas na categoria Low Light da Sony World Photography Awards 2016, considerada a maior competição fotográfica do mundo. Na disputa, havia 230 mil imagens de 186 países. As selecionadas serão expostas na Somerset House, em Londres, entre 22 de abril e 8 de maio, e depois seguem para outros países. Os brasileiros também terão a sua vez. O olhar de Bassul, consultor legislativo do Senado aposentado, será incluído no acervo do Museu da República, por ideia de seu diretor, Wagner Barja.

Enquanto isso... Na sala de Justiça
A Justiça negou o pedido de Adriana de Jesus Santos para trabalhar fora da cadeia. Presa desde dezembro de 2004 pelo assassinato da estudante Maria Cláudia del;Isola, ela solicitou a progressão para o regime semiaberto. O juiz Vinícius Santos Silva, da Vara de Execuções Penais, alegou que a criminosa recusou tratamento psicológico dentro da cadeia e lembrou que o último laudo realizado pelo IML apontou que ;a psicopatia da apenada é incurável;. O juiz afirmou que Adriana terá que seguir tratamento psicológico por pelo menos um ano, até que seja submetida a um novo exame criminológico.

Mandou bem
Em nota divulgada ontem, o juiz Sérgio Moro condenou atos de violência e ameaça de qualquer natureza e incitação à agressão contra investigados, partidos políticos, instituições constituídas ou contra qualquer pessoa.

Mandou mal
O ex-presidente Lula foi flagrado em vídeo feito pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) dizendo: ;que enfiem no c... todo o processo;, referindo-se à investigação contra ele, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Só PAPO

Se alguém pensa que vai me calar com perseguição e denúncia, não sabe que eu sobrevivi à fome, e quem sobrevive à fome não desiste nunca
Ex-presidente Lula, em discurso no diretório do PT em São Paulo, sexta-feira, depois de prestar depoimento aos investigadores da Lava-Jato


Não há nenhum maniqueísmo no Ministério Público e na Polícia Federal
que não seja o legal contra o ilegal
Carlos Fernando Lima, procurador da República
no Paraná, um dos responsáveis pela Operação Lava-Jato

À QUEIMA-ROUPA


Fernando César Costa

Delegado-chefe da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF)

Vimos na semana passada a prisão do
vice-presidente do Facebook, Diego Dzodan. Acha válida uma medida como essa porque a empresa se nega a passar informações para investigações policiais?

Ou se prende um executivo e se força uma revisão dos procedimentos da empresa, com a submissão dela às leis nacionais, ou simplesmente se desabilita o serviço.

Mas isso não é prejuízo para o país inteiro? Hoje em dia quase todo mundo usa mais WhatsApp do que qualquer outro instrumento de comunicação...
Então, nós temos que saber que isso estará sendo usado para cometer crimes e a polícia não vai ter acesso, ou seja, a investigação fica muito mais difícil e a sociedade está sendo alvo de graves crimes, que muitas vezes são quase que impossíveis de serem investigados em razão da falta de acesso dos dados desses aplicativos de mensagens por celular.

O que é mais importante: a liberdade de comunicação ou a investigação policial?
Não é uma questão de importância. É uma questão de proporcional

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