A vida mansa dos candidatos únicos

A vida mansa dos candidatos únicos

Juliana Cipriani
postado em 19/09/2016 00:00



Belo Horizonte ; Quem pensa que todo político tem que levantar cedo, gastar muito dinheiro e ficar na rua o dia todo para conseguir ser eleito está enganado. Para alguns que tentam chefiar prefeituras ; 16 em Minas Gerais e 97 no Brasil ;, a campanha não é necessária. Isso porque eles são os únicos em suas cidades que registraram candidatura e, por isso, basta o próprio voto para conquistar o mandato.

É a primeira eleição do cirurgião-dentista Samuel Alves de Matos (PMDB) e ele já está eleito, a não ser que tenha algum problema com a Justiça Eleitoral no meio do processo. Único que se candidatou à cadeira de prefeito em Vargem Bonita, no Centro-Oeste mineiro, ele largou o consultório para se dedicar o dia todo à campanha e trabalha para conseguir 90% dos votos da cidade. ;Se não for assim, pode ter gente achando que estou fazendo serviços em troca de votos;, comenta. ;Comício não precisa, porque a cidade tem só 2 mil habitantes, mas estou em campanha o dia todo. Estamos escutando bastante o pessoal e visitando praticamente todas as casas;, conta.

Assim como em Vargem Bonita, é a primeira vez desde a década de 1970 que Divisa Nova, no Norte de Minas, tem candidato único a prefeito. Quem concorre é o ex-secretário de governo da cidade, que já foi vice-prefeito de 2009 a 2012, Elias Tassoti (PTB). Ele conta que, no início da campanha, já andou por cerca de oito horas diárias na zona rural. Agora, percorre a área urbana do município, que tem pouco mais de 4 mil eleitores. ;Aqui existe o histórico de ir de casa em casa falando com os eleitores. Estamos conversando para não ficar naquela de que candidato único não tem interesse, o povo que confiou na gente quer;, garante.

Em Inimutaba, na Região Central, o prefeito Rafael Dotti de Carvalho (PR) também diz fazer campanha normalmente. Ele tenta um segundo mandato depois de conquistar o primeiro com 74% dos votos. ;Sei que preciso só do meu voto para ser eleito, mas quero ter um volume bom;, comenta. O prefeito tem feito reuniões e pequenos comícios. ;Visita não está dando tempo, porque tenho que administrar a cidade;, explica.

Professor de história e geografia, Adalto Leal (PR) resolveu concorrer de novo a prefeito de Espírito Santo do Dourado, no Sul de Minas. Incomodado com a exclusividade da disputa, ele diz que até tentou convencer outras pessoas, até mesmo adversários, a se candidatarem, mas acabou sendo mais um candidato único. ;Pedi para o povo ter opção, mas eles disseram não. Gostaria que tivesse outro para poder debater ideias, porque assim fica uma coisa meio esquisita;, diz. Adalto Leal já foi prefeito por três vezes do município, que tem cerca de 6 mil habitantes.

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