Obama pede dossiê sobre ciberataques

Obama pede dossiê sobre ciberataques

Presidente ordena que relatório da investigação de invasões virtuais ocorridas durante eleições seja entregue ao Congresso antes de 20 de janeiro

postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Timothy A. Clary/AFP)
(foto: Timothy A. Clary/AFP)



Um relatório sobre a ação de hackers durante o período da campanha eleitoral de 2016 deve ser entregue ao Congresso americano antes do fim do mandato do presidente Barack Oabama, em 20 de janeiro. A conselheira de segurança doméstica Lisa Monaco contou a jornalistas que o democrata solicitou um documento detalhado sobre os ataques cibernéticos em meio ao alerta de autoridades de Washington sobre os indícios de interferência russa em ações como a que resultou no vazamento de e-mails dos Comitê Nacional Democrata ao site WikiLeaks.

Em evento promovido pelo jornal The Christian Science Monitor, Monaco afirmou que o relatório deve incluir as ;lições aprendidas; sobre ameaças digitais nos últimos meses, sem fornecer detalhes sobre as informações obtidas durante investigações. ;Isso é consistente com o trabalho que realizamos ao longo do verão para engajar o Congresso a respeito de ameaças que estamos vendo;, observou.

O porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz, indicou que o texto também mencionará ataques de hackers registrados em eleições passadas. ;Vamos tornar público o máximo de informações que pudermos;, disse, apesar de ressaltar que o material terá conteúdo ;confidencial e altamente sensível;.

Embora legisladores da bancada democrata tenham urgido que o governo retire a classificação especial de informações relativas à ação dos russos durante a eleição, Monaco alertou que é preciso ter cuidado para não revelar fontes e métodos capazes de impedir a habilidade americana de identificar ;atores maliciosos; no futuro.

O deputado democrata Adam Schuff (Califórnia) considerou importante que a revelação das informações seja feita antes da posse de Donald Trump. ;Diante da perturbadora recusa do presidente eleito em ouvir a nossa comunidade de inteligência e em aceitar que os ataques foram orquestrados pelo Kremlin, há uma urgência em revisar os ocorridos, antes que o presidente Obama deixe o cargo no mês que vem;, comunicou.

Apesar de as autoridades americanas não terem sugerido que ataques supostamente realizados pelos russos tiveram o objetivo de promover a candidatura de Trump, as ações causaram muito mais danos à campanha de Hillary Clinton. O fato de o republicano ter feito elogios ao presidente russo, Vladimir Putin, alimentou as suspeitas dos governistas.

De Moscou, Maria Zakharova, porta-voz da chancelaria russa, desafiou os Estados Unidos a apresentarem evidências sobre a alegada interferência. ;Também estamos muito interessados em entender do que eles acusam a Rússia. Por muitas vezes, o Ministério das Relações Exteriores e o ministro Serguei Lavrov pediram aos americanos para fornecerem informações completas, mas eles nunca responderam;, afirmou.

Recontagem
Em paralelo às investigações sobre a ação de hackers no período eleitoral, um juiz federal rejeitou pedido feito por simpatizantes de Trump pela suspensão da recontagem dos votos no estado de Wisconsin. A candidata pelo Partido Verde, Jill Stein solicitou a checagem dos votos na região e em outros dois estados, após especialistas terem alertado sobre a vulnerabilidade das máquinas usadas para registrar o voto nessas áreas. No Michigan, onde a recontagem está suspensa e onde Trump e Stein se enfrentam em uma batalha judicial, dois membros da Suprema Corte estadual decidiram se afastar da análise sobre o caso por serem cotados para a indicação do presidente eleito para a máxima instância do Judiciário norte-americano.

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