Justiça histórica

Justiça histórica

RENATO ALVES renatoalves.df@dabr.com.br
postado em 15/12/2016 00:00



O Correio iniciou, no domingo, uma série de reportagens diárias em função dos 270 anos de Luziânia (GO), completados na terça-feira. Ela chega ao fim amanhã. Sou um dos autores do trabalho. Apurei, escrevi e ditei o material na companhia do jovem repórter Fernando Caixeta. Desde o primeiro dia da publicação, temos recebido inúmeros telefonemas e mensagens via e-mail e redes sociais. A maioria, elogiosa. Principalmente de gente nascida no município goiano, surpresa e orgulhosa com a riqueza cultural e histórica de sua terra, fundamental na ocupação do Centro-Oeste e na construção de Brasília.

As matérias contam passagens fascinantes, como a do último homem livre e condenado à forca no Brasil, e da obra de 42km de extensão feita por 2 mil escravos, apenas com pás e picaretas, para levar água do atual Gama ao centro do antigo arraial de Santa Luzia, futura Luziânia. Construção que ajudaria a enriquecer fazendeiros na extração do ouro, razão da fundação do lugarejo por bandeirantes paulistas.

Histórias desconhecidas pelos luzianenses e pela maioria dos goianos e demais brasileiros. Pelo simples e inexplicável motivo de estarem de fora dos livros de história adotados nas escolas públicas e particulares. Assim como as histórias da formação e da importância de outros municípios vizinhos do Distrito Federal, como as também centenárias Corumbá, Pirenópolis e Formosa.

Sem tal conhecimento, muito brasileiros foram alimentados pela propagação da versão de que não havia vida no Planalto Central antes da chegada dos candangos. E que o povoamento do interior do país foi um mero desejo de Juscelino Kubitschek.

A série do Correio também serviu para reparar esse erro. Ela mostrou que a Constituição Federal de 1891, a primeira do país, já determinava a demarcação do território onde seria construída a futura capital. E, para tirá-la do papel, 60 anos antes de JK iniciar a construção de Brasília, um grupo de cientistas brasileiros e europeus desbravou o cerrado para registrar tudo o que havia na região e demarcar o quadrilátero onde deveria ser erguida uma metrópole planejada.

Nessa missão, realizada na última década do século 19, vindos do Rio de Janeiro, eles montaram acampamentos onde hoje é o Entorno do DF. À época, havia só quatro cidades na região: Pirenópolis, Corumbá, Formosa e Luziânia. Mas todas tinham uma história, e a gente que morava lá tinha seus costumes, sua cultura. E os descendentes dessa gente viriam a contribuir diretamente com a mudança da capital federal do Rio de Janeiro para as terras de Goiás. Uns, por meio de decisões políticas. Outros, aceitando a desapropriação de suas fazendas. E milhares, com o suor do trabalho pesado nos canteiros de obra durante a construção de Brasília.

Portanto, o nosso trabalho, intitulado De tropeiros a pioneiros, vem fazer justiça aos primeiros habitantes das terras do Distrito Federal. E, além das folhas da versão impressa, ele está eternizado na internet, por meio do hotsite disponível no correiobraziliense.com.br. Confira e conheça mais sobre a nossa valorosa história.




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