Uma batida na rima, outra no pop

Uma batida na rima, outra no pop

Rappers Rael e Rashid mostram em novos álbuns a tendência do estilo musical de se misturar com outros ritmos

» Adriana Izel
postado em 19/12/2016 00:00
 (foto: Eric Ruiz Garcia/Divulgação)
(foto: Eric Ruiz Garcia/Divulgação)

Emicida, Criolo e Mano Brown costumam ser apontados como os artistas responsáveis por colocar o rap no mainstream. Um dos grandes diferenciais desses rappers foi incorporar outros gêneros ao estilo musical, o tornando mais popular. Porém, eles não são os únicos. Rael e Rashid também são exemplos dessa nova tendência, que está exposta nos novos discos dos artistas.

Rael mostra essa vertente de união das rimas com sonoridades de ritmos, como forró e jazz, desde os primeiros trabalhos e a tendência também está presente em Coisas do meu imaginário, quarto álbum da carreira solo. ;Acho que no país que a gente vive isso ajuda a conectar o público que não conhece o rap e a cultura do hip-hop. O ouvinte escutar um violão, uma batida do samba rock, por exemplo, se torna um convite para entrar no universo do rap;, analisa Rael em entrevista ao Correio.

Coisas do meu imaginário possui 11 faixas, todas de autoria de Rael e com temáticas atuais a exemplo da internet, citada em Livro de faces e Falacioso, e da intolerância religiosa, assunto de Quem tem fé. ;Quis trazer a coisa da internet porque tem a ver com o que está acontecendo. Também tem a questão da falta de respeito, que sumiu no meio desse curso. Há muito pré-julgamento;, explica o cantor.

O processo de criação de Coisas do meu imaginário foi bastante rápido. Em duas semanas, Rael entrou no estúdio, começou a fazer os arranjos e batidas no violão e depois musicou as canções. ;Eu tinha apenas Aurora boreal. O resto eu tinha partes instrumentais, que comecei a trabalhar em cima;, conta.

Antes de investir na carreira solo, Rael fez sucesso no rap dentro do grupo Pentágono. Paulista, o cantor sempre teve uma influência musical em casa: o pai tocava instrumentos como acordeon e bandolim; a mãe cantava na igreja; e o irmão tocava violão. ;Eu dançava break. Aos 11 anos, comecei fazendo cover do Racionais MC;s. Aos 17, passei a escrever meus pensamentos e em 2010 gravei meu primeiro CD. Acho que essa bagagem musical fez com que eu trouxesse várias influências para o rap;, analisa.

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