Temer ainda quer a Previdência

Temer ainda quer a Previdência

Temer avalia que é possível, nos últimos três meses do ano, votar as mudanças nas aposentadorias

» RODOLFO COSTA
postado em 02/03/2018 00:00
 (foto: Marcos Correa/PR)
(foto: Marcos Correa/PR)



O presidente Michel Temer não desistiu da ideia de aprovar a reforma da Previdência ainda em 2018. Embora a discussão da proposta de emenda à Constituição (PEC) tenha ficado em segundo plano após a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro e a criação do ministério da Segurança Pública, não está descartada a hipótese de voltar a colocar a matéria em pauta na Câmara dos Deputados. Tudo dependerá do sucesso da intervenção.

A Constituição veda alterações na Carta Magna enquanto intervenções estiverem em vigor. Por este motivo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), se comprometeram a sequer pautar PECs no Congresso. Ou seja, para que a reforma da Previdência entre em discussão será necessário revogar o decreto da intervenção federal no Rio.

Tal hipótese não é impossível, garantiu Temer em entrevista à Rádio Tupi, emissora dos Diários Associados. ;Pode ocorrer de, quando chegar em setembro ou outubro, eu possa fazer cessar a intervenção, se ela tomar um caminho. Não quero manter a intervenção eternamente no Rio de Janeiro. Nem é saudável. Se ocorrer isso, você terá logo depois das eleições três meses ; outubro, novembro e dezembro ; para ainda tentar votar a Previdência;, afirmou.

O presidente destacou que a reforma da Previdência não saiu do centro das atenções. ;Ela saiu da pauta legislativa, não da política. Vamos resolver em determinado momento;, destacou. Temer ressaltou também que candidato algum à Presidência ou aos governos estaduais se isentará de discutir e opinar sobre a importância de uma atualização nas regras de aposentadoria.

Eleições

A probabilidade de um êxito da intervenção no Rio realçar a imagem de Temer e aumentar a popularidade dele junto aos eleitores é real. E o governo sabe disso. Mas o presidente garante que a medida não tem pretensões eleitoreiras. ;Vou perguntar para a dona Maria no Rio de Janeiro o que ela acha sobre o que deve ser feito em matéria de segurança, se a Federação deveria tomar essa providência ou não. Eu deixo essa resposta para os ouvintes, porque tenho certeza que eles dirão que ;não interessa o que o presidente pensa;. Interessa qual o resultado que vamos ter aqui;, afirmou.

O presidente assegurou que não tem intenção de ser candidato e que pretende entrar para a história apenas como ;alguém que deu jeito no país;. Em resposta a uma ouvinte, Temer ressaltou ainda que a intervenção decorreu de um processo de maturação. Ele ressaltou que, desde quando assumiu o governo, perto das Olimpíadas de 2016, tem feito o possível para assegurar a ordem no Rio de Janeiro.

;Colocamos indiretamenteR$ 3 bilhões naquele momento (para os Jogos Olímpicos). E, naquela oportunidade, precisamos de 38 mil homens das Forças Armadas. Esse é o primeiro ponto;, disse. ;O segundo é que, logo depois, o governador pediu a Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Isso foi posto ano passado. Mas acabou não dando resultado porque não adianta por o homem com o fuzil na mão, é preciso que tenha o comando da segurança pública. Essa intervenção foi compartilhada, e até pedida, pelo governador Pezão;, acrescentou Temer.

Convenção socialista

Integrantes do PSB abriram ontem a agenda de atividades da convenção nacional do partido. Milhares de militantes compareceram à solenidade, cuja agenda vai até amanhã. A abertura do evento foi uma roda de conversa em homenagem ao escritor Ariano Suassuna e ao filósofo Noam Chomsky. Ao contrário do que se esperava, não houve nenhum protesto na porta do Centro Internacional de Convenções do Brasil. O motivo seria a presença do governador de São Paulo e possível candidato ao Planalto em 2018, Geraldo Alckmin (PSDB). Ele foi convidado pelo vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), mas não compareceu. Temas como economia e a conjuntura do partido serão discutidos entre hoje e amanhã.

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