Temer acusa a PF de perseguição

Temer acusa a PF de perseguição

» DEBORAH FORTUNA Especial para o Correio
postado em 28/04/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 2/3/18)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 2/3/18)


O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, determinou que a Polícia Federal apure um suposto vazamento em torno do inquérito dos Portos, no qual o presidente Michel Temer é alvo. Ontem, a corporação confirmou que a investigação foi instaurada. A decisão do ministro é uma resposta a uma solicitação do próprio Temer, que criticou uma ação da PF de investigá-lo sobre uma acusação de lavagem de dinheiro, envolvendo imóveis de familiares.

Em discurso ontem, o presidente disse que as investigações da corporação são uma ;perseguição criminosa;, e que afeta não apenas a honra dele, mas também atinge a família ; inclusive o filho Michelzinho, de 9 anos. A acusação é de que Temer teria lavado dinheiro em reformas dos imóveis da família. No entanto, os vazamentos foram nos autos da Operação Skala, que investiga o presidente por supostamente beneficiar empresas do ramo portuário no porto de Santos (SP), em troca de propina.

Para Temer, esses vazamentos são intencionais por parte dos servidores da PF, já que nem mesmo os advogados que o representam têm acesso aos autos do inquérito. ;É revoltante, é um disparate. E o interessante, eu vejo uma coisa curiosa: que quando a minha defesa pede acesso aos autos do inquérito, a resposta é sempre a de que as diligências ainda estão sendo feitas, e como se trata de sigilo, não é possível dar acesso a esse inquérito sigiloso;, disse o presidente. A Polícia Federal deve ouvir, em 2 de maio, Maristela Temer, uma das filhas do presidente, sobre a Operação Skala.

Sanções

Em nota, o ministro Jungmann disse que não é ;admissível comprometer o legítimo direito de defesa e a presunção de inocência de qualquer cidadão ou do senhor presidente da República;. E que a violação do sigilo profissional é conduta passível de sanção administrativo-disciplinar, cível e penal.

Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, é natural que um investigado negue os fatos e diga que a investigação é um absurdo. ;Faz parte do jogo democrático. O que não faz parte é ele entender que é presidente, e não respeitar o trabalho da Polícia Federal;, afirmou. Paiva também disse que essa declaração pressiona a PF, e que é favorável a apuração de vazamento, conforme Temer fez questão de frisar em discurso, mas que há muitos envolvidos dentro do inquérito para que alguém acuse um funcionário do órgão. ;Esse inquérito específico tem toda uma parte pública. Só a parte da Operação Skala que é sigilosa. Se houve vazamento, vamos apurar. Mas duvido que tenha sido o presidente da investigação, ele não quer esse tipo de burburinho;, afirmou.

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