Encontro histórico

Encontro histórico

postado em 28/04/2018 00:00
A imagem histórica circulou pelos cinco continentes. O ditador da Coreia do Norte e o presidente da Coreia do Sul apertaram as mãos um de cada lado da fronteira. Depois, de mãos dadas, cruzaram a linha demarcatória na Zona Desmilitarizada da Península Coreana. Eram os passos iniciais para a primeira cúpula entre os países em 11 anos. Não só. Pela primeira vez, desde a Guerra da Coreia, iniciada em 1950 e ainda sem acordo de paz, o líder do Norte atravessou a divisa das duas nações.

Trata-se de iniciativa impensável há poucos meses. Até 2017, Kim Jong-un era visto como ameaça global. Comportava-se como menino mimado, cheio de vontades, que cometia crimes bárbaros e agredia os direitos humanos com desenvoltura, indiferente à reação internacional. Promoveu vários lançamentos de mísseis e quatro testes nucleares, o último dos quais capaz de atingir território norte-americano. Não faltaram trocas de farpas entre ele e o também temperamental Donald Trump, que o chamou de ;homenzinho do foguete;.

O cenário começou a mudar no início deste ano. Observaram-se acenos de aproximação entre as duas Coreias e os Estados Unidos. Pyongyang participou das Olimpíadas de Inverno de Pyeongchang. Viajou a Pequim para se encontrar com o presidente chinês. Convidou o presidente dos Estados Unidos para inédito encontro pessoal de mandatários dos dois países, face a face, que deve ocorrer em julho em lugar ainda a ser divulgado.

Longe de serem improvisadas, as ações parecem estrategicamente planejadas na busca de saídas que necessariamente passam pelo desenvolvimento econômico, que requer melhores relações políticas internacionais. O programa nuclear da Coreia do Norte é, sem dúvida, o principal ponto da negociação iniciada na cúpula da quinta-feira com o vizinho. O xis da questão: o conceito de desnuclearização no entendimento de cada um.

Será processo amplo e irreversível, que enterrará as pretensões do Norte de deter arsenal nuclear? Se a resposta for positiva, o Sul e aliados, entre eles Japão e Estados Unidos, estarão alinhados na busca do objetivo comum. Caso contrário, há risco de fracasso como em tentativas anteriores.

Os coreanos de um lado e de outro apoiam o processo de aproximação. A comunidade internacional também aplaude o processo, embora paire, aqui e ali, clima de desconfiança em relação a Kim Jong-un. Passos simbólicos serão dados para provar a firmeza de propósitos. É o caso da promoção do encontro de famílias separadas por conflito que parece se aproximar do ponto final. O estabelecimento de clima mútuo de paz levará à assinatura do fim da Guerra da Coreia e, espera-se, à reunificação do Sul e do Norte.



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