Corte de juros ignora risco eleitoral, diz BBH

Corte de juros ignora risco eleitoral, diz BBH

postado em 14/05/2018 00:00
Se a decisão do Banco Central (BC) de cortar a taxa básica de juros (Selic) em mais 0,25 ponto percentual, para 6,25% ao ano nesta semana, já foi absorvida pelo mercado, mas a concordância sobre esse novo recuo não é unânime. O banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH), com sede em Nova York, avalia, em relatório, que o BC já cortou os juros demais no Brasil, sobretudo quando se leva em conta os crescentes riscos políticos por conta das eleições indefinidas.

O documento ressalta que o IPCA de abril, divulgado na semana passada, foi mais um indício de que a inflação no Brasil está controlada e abaixo da meta do BC. Ao mesmo tempo, as incertezas eleitorais são crescentes, destaca o BBH.

Em outro relatório sobre a corrida presidencial, o banco avalia que, mesmo preso, persistem dúvidas sobre a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, e ainda falta um nome forte com perfil mais de centro para disputar a Presidência. Sobre a candidatura do deputado Jair Bolsonaro, o banco destaca que ele tem perfil ;populista; e tudo vai depender da escolha de sua equipe econômica, caso vença. Para o BBH, o mercado está subestimando os riscos políticos no Brasil.

Diante das tensões, a disparada do dólar no mercado financeiro mundial ainda não chegou ao fim, mas uma correção nos preços pode estar a caminho, avalia BBH. ;Não estamos convencidos de que o terceiro grande rali do dólar desde Bretton Woods acabou. O principal gatilho para a alta, a divergência de políticas econômicas, permanece intacto;.

Nos três últimos meses, o dólar só não subiu em uma semana, destaca o BBH. Entre as principais moedas do mundo apenas a libra, o iene e a coroa da Noruega se valorizam ante o dólar em 2018. A valorização mais pronunciada da moeda dos Estados Unidos tem se dado ante as divisas de mercados emergentes, sobretudo da Argentina, mas também do Brasil e Turquia. ;Permanecemos com visão negativa para as moedas de emergentes;, ressalta o relatório, destacando que as perdas devem continuar.

Apesar do rali do dólar não dar sinais de que vai parar, o BBH ressalta que a expectativa de que a ;correção; nas taxas entre a moeda dos EUA e outras divisas pode estar a caminho. O euro, por exemplo, alcançou nos últimos dias a menor cotação ante o dólar desde o final de 2017, mas recuperou parte do terreno após dados da inflação dos EUA ficarem abaixo do esperado.

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