Ciro e Bolsonaro entre dois polos

Ciro e Bolsonaro entre dois polos

Em debate promovido pelo PIB industrial, pedetista criticou a reforma trabalhista e acabou vaiado. O deputado do PSL e ex-militar, por sua vez, foi aplaudido 10 vezes e disparou comentários jocosos sobre minorias, citando gays e negros

» BERNARDO BITTAR » DEBORAH FORTUNA
postado em 05/07/2018 00:00
 (foto: Evaristo Sá/AFP)
(foto: Evaristo Sá/AFP)





Em sabatina promovida pela elite industrial do país, a polarização entre dois candidatos ao Planalto ficou evidente. Enquanto Jair Bolsonaro (PSL) foi efusivamente aplaudido pela plateia, Ciro Gomes (PDT) acabou vaiado ao criticar a reforma trabalhista. O deputado fluminense disparou comentários jocosos sobre minorias, citando gays e negros ; também exaltou os militares, enquanto o ex-governador do Ceará defendeu reivindicações dos sindicatos para uma audiência que, aparentemente, não se interessou por elas. O ;Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República; foi promovido ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em mais um discurso controverso, Bolsonaro falou sobre a presença de militares no primeiro escalão em um eventual governo comandado por ele. ;Vou botar alguns generais nos ministérios, caso eu chegue lá. Os anteriores colocaram corruptos e terroristas e ninguém falava nada.; O parlamentar também falou sobre gays, cotas raciais, fim de privilégios do serviço público e meio ambiente. ;Sou contra as cotas (...) Não adianta inventar cotas, sou contra elas porque, a meu ver, somos iguais. Tem muitos afrodescendentes que concordam com essa ideia. Somos iguais, somos competentes;, declarou. No total, ele foi aplaudido 10 vezes.

Ciro Gomes também fez um acalorado pronunciamento, no qual criticou Bolsonaro e apresentou propostas para um eventual governo. O ex-governador foi vaiado ao responder sobre a reforma trabalhista, que qualificou como ;uma selvageria;. Foi questionado sobre o assunto em entrevista coletiva após a apresentação, e demonstrou irritação ao responder perguntas, que considerou repetitivas. Uma repórter do portal Metrópoles quis repercutir sobre o mal-estar causado pelas vaias. ;Escreva sua opinião. Tenho 31 anos de vida pública e nunca respondi por nenhum malfeito nem por um escândalo na vida toda. Você assistiu a uma coisa e fez uma ata completamente disforme.;

Um repórter da Folha de S. Paulo endossou a pergunta da colega, afirmando que o desconforto existiu, a ponto de o candidato chegar a pedir desculpas pela veemência com que tratou a questão no palco da CNI. Ciro respondeu: ;Vocês escrevam o que quiserem. Metrópoles; Isso existe? Onde é? Quem é o dono? O Luiz Estevão, né? Mas ele não estava preso?;. Estevão foi condenado a 28 anos de prisão por desvios no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo e cumpre regime fechado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A repórter disse que o candidato sabia da situação do dono do Metrópoles, até porque já deu entrevista ao portal. ;Estou aqui trabalhando;, concluiu. ;E eu soltinho da Silva aqui;, treplicou Ciro.

Investimento

Também participaram do evento os pré-candidatos Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Pode), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano prometeu concentrar-se na pauta econômica do país caso seja eleito. Marina defendeu o aumento dos investimentos do Estado e defendeu o fim da reeleição para presidentes a partir de 2022. Henrique Meirelles ficou preso ao passado, divagando sobre suas conquistas. Álvaro Dias defendeu a ;refundação da República; como forma de ;substituir o sistema;. Cada um dos candidatos falou por 45 minutos.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação