Ações fecham em alta

Ações fecham em alta

GABRIEL PONTE*
postado em 30/01/2019 00:00
Depois de ter enfrentado o pior pregão da história, a mineradora Vale viu os seus papéis ordinários encerrarem, ontem, em alta de 0,85%, negociados a R$ 42,74. Eles se tornaram o ativo mais comercializado do dia, um ajuste positivo após as expressivas perdas da véspera. A recuperação da empresa, no entanto, ainda está longe de compensar a queda de 24,52% dos ativos, registrada na segunda-feira. A ligeira melhora também refletiu-se no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que fechou o dia em alta de 0,20%, aos 95.639 pontos.

Sócios da Vale se preocupam, no entanto, com eventuais sanções internacionais que ameaçam a empresa. Nos Estados Unidos, por exemplo, a mineradora já se tornou alvo de ações coletivas por parte de quatro escritórios de advocacia, em razão do prejuízo decorrente do rompimento da barragem, que provocou um forte recuo dos ADRs (American Depositary Receipts) da empresa na Bolsa de Nova York (NYSE). Ontem, os recibos da companhia negociados em Nova York encerraram em alta de 2,59%, movimento de ajuste, após perdas anteriores.

Já no continente asiático, o preço dos contratos futuros de minério de ferro da China estabilizaram-se ontem, depois de um forte avanço na segunda-feira, em meio ao temor, por parte de operadores, de uma possível diminuição de oferta da commoditie no mercado internacional. Ainda ontem, a agência Moody;s colocou o rating de emissor ;BAA3;, da Vale, em revisão para ;eventual rebaixamento;. A agência Fitch, na segunda-feira, já havia rebaixado o rating da Vale para BBB-.

De acordo com Daniel Xavier, economista-chefe da DMI Group, os investidores, ontem, assumiram uma posição de acomodação. ;Minha leitura a respeito da cotação é de acomodação, por parte dos operadores, em resposta à queda expressiva de segunda. Já o Bovespa tem um desempenho mais normal, em comparação ao pregão de segunda, que foi pífio, voltando a um nível razoável;, explicou.

A notícia em torno da tragédia envolvendo a companhia acabou também por ofuscar o início do encontro do Federal Reserve (banco central dos EUA), ontem, em Washington, DC. Para o economista Demétrius Lucindo, na conjuntura doméstica, os donos do dinheiro atentam-se aos desdobramentos do acidente envolvendo a empresa. Segundo ele, o leve avanço da companhia, no pregão de ontem, ocorre em um momento no qual muitas dúvidas ainda pairam entre investidores, apesar de a mineradora constituir ;a maior canalizadora de dólares para o país, com ativos em nível mundial;.

;O investidor fica confuso com a possibilidade da destituição da diretoria da empresa, como havia sido cogitado, mas que o ministro da Casa Civil (Onyx Lorenzoni) descartou posteriormente. Então, o operador acaba por vender papéis, mensurando ser possível comprá-los em níveis menores na semana que vem;, disse.

*Estagiário sob a supervisão de Cida Barbosa

Queda no dólar
O dólar encerrou, ontem, negociado a R$ 3,721, queda de 1,17%, o menor valor desde o dia 14 deste mês. Foi a maior variação da moeda norte-american frente a uma cesta de 33 principais divisas estrangeiras, ou seja, um movimento fortemente influenciado pela conjuntura doméstica.

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