Sucessora ameaça Morales

Sucessora ameaça Morales

postado em 16/11/2019 00:00
 (foto: Ronaldo Schemidt/AFP)
(foto: Ronaldo Schemidt/AFP)


Evo Morales pode retornar à Bolívia, mas terá de responder à Justiça pelas irregularidades na eleição presidencial de outubro e por denúncias de corrupção, afirmou ontem a presidente interina, Jeanine Áñez, em meio a mais um dia de confrontos entre partidários do seu governo e do presidente que renunciou no início da semana e partiu para o exílio no México. Ao menos cinco cultivadores da folha de coca, simpatizantes de Morales, foram mortos em choques com as forças de segurança nos arredores de Cochabamba, na região central do país, berço político do ex-mandaário.

;Há um crime eleitoral e há muitas denúncias de corrupção em seu governo;, disse Áñez, em sua primeira reunião com a imprensa estrangeira no Palácio Quemado, em La Paz, três dias depois de se proclamar presidente interina. Morales, que governou o país por quase 14 anos, disse quarta-feira, no México, que está disposto a voltar para ;pacificar; a Bolívia. Afirmou ainda que, com a renúncia, buscou deter a violência no país.

Transição

;Este é um governo de transição;, reforçou a presidente interina. ;Prometo liderar eleições transparentes;, acrescentou, embora não tenha deixado claro se a votação será marcada para antes de 22 de janeiro, quando terminaria o terceiro mandato do ex-presidente. Áñez não respondeu por quanto tempo ficará no cargo, mas prometeu ;não avançar para o autoritarismo; e reafirmou o apego ao Estado de direito.

Acompanhada de comandantes militares, ela denunciou o surgimento de ;grupos subversivos armados; formados por bolivianos e estrangeiros. Uma das principais ações do movimento, acusou, seria bloquear a distribuição de gás liquefeito de petróleo em botijões e o fornecimento de gasolina, mediante ataques a uma usina em El Alto, cidade vizinha a La Paz e reduto do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales. Segundo a mandatária, esses grupos estariam dispostos a ;usar explosivos para destruir totalmente usinas estratégicas de hidrocarbonetos;.

;Não vamos permitir que estrangeiros armados transgridam a lei;, prometeu Áñez, que acenou com o recurso ;aos mecanismos legais; de manutenção da ordem.

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