20 anos de atraso

20 anos de atraso

Seleção Brasileira se reúne pela primeira vez para treinamentos em Brasília. Comissão técnica tem metas modestas: medalha no Rio-2016 é quase impossível

Jéssica Raphaela
postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 21/1/15
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(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 21/1/15 )
Reunidos durante toda esta semana, os 16 atletas da Seleção Brasileira de saltos ornamentais finalmente começam a se reconhecer como equipe. Separados por décadas, quando cada um treinava no próprio clube, saltadores de todo o país se apoderam do Centro de Excelência de Saltos Ornamentais da Universidade de Brasília (UnB) para o primeiro treinamento de campo em ano pré-olímpico. A novidade que enche os olhos dos profissionais da modalidade é velha conhecida dos melhores saltadores do mundo. Países como Estados Unidos e China, duas potências mundiais, fazem esse tipo de trabalho com seus atletas há décadas.

;Estamos 20 anos atrasados;, lamenta o treinador Giovani Casilo, responsável por revelar atletas como Hugo Parisi e César Castro, os mais bem ranqueados do país atualmente. O técnico, que atua há 42 anos na área, diz que é a primeira vez que vê um trabalho desse tipo sendo feito no país, reunindo as melhores mão de obra e matéria-prima no mesmo local. ;O Brasil tem a melhor fonte de talento do mundo e finalmente estamos reunindo os melhores para um trabalho sério e focado;, comenta Casilo, enquanto esperanças olímpicas saltam na piscina do Centro Olímpico.

Os frutos do projeto da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) para os saltos ornamentais devem ser colhidos num futuro ainda distante, embora o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) creia que a modalidade possa contribuir para a meta de 27 medalhas no Rio-2016. A comissão técnica discorda. ;Nós temos algumas vagas garantidas para disputar os Jogos do Rio. Mas não queremos só participar, queremos nos sair bem. Por isso, estamos fazendo o melhor trabalho possível com os nossos atletas mais experientes, mas sem esquecer a base, de olho em 2020, quando teremos resultados mais palpáveis;, comenta o coordenador técnico do training camp, responsável pelo CT, Ricardo Moreira.

Trio de ferro

Enquanto orienta os atletas no treino, Ricardo conta quem são os principais nomes do Brasil para o Rio 2016: os brasilienses Hugo Parisi e César Castro, e a carioca Juliana Veloso. Os dois primeiros cumprem intensa semana de treinamento em Brasília, que também inclui exames laboratoriais, fisioterapia, massagem e orientação nutricional. Já César Castro, que treina nos EUA desde o ano passado, não conseguiu se reunir com os demais atletas.

Presente em quatro Olimpíadas, Juliana Veloso diz que os treinamentos da Seleção Brasileira a motivam a estar presente em mais uma edição dos Jogos. A experiência, ela passa aos mais jovens. Alguns atletas juvenis se infiltram entre os profissionais e tentam aproveitar o momento ao máximo para brilharem no futuro. ;A gente aprende muito com os adultos, eles ajudam, ensinam novas técnicas. Sinto que já aprendi muito com eles aqui e espero poder retribuir isso com resultados. Quem sabe eu chego às Olimpíadas?;, vislumbra Igor Matheus, de 14 anos, atleta de Campinas.

Troca de técnicas
Entre os 16 atletas convocados, há cariocas, paulistas, paraibanos e paraenses. Três atletas treinam habitualmente em Brasília. Para o técnico paraense Roberto Ruffeil, a reunião de atletas e treinadores eleva o nível do treinamento. ;Há uma troca de metodologia, de técnicas. Um ensina e aprende com o outro. Isso é muito importante para criar uma categoria forte de profissionais;, destaca o treinador.

"Estamos fazendo o melhor trabalho possível, mas sem esquecer a base, de olho em 2020, quando teremos resultados mais palpáveis;
Ricardo Moreira, coordenador técnico, minimizando chances de medalha no Rio-2016


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