Proteína permite que câncer de pele se espalhe

Proteína permite que câncer de pele se espalhe

postado em 30/06/2017 00:00
 (foto: Wellcome Images/DivulgaÇão)
(foto: Wellcome Images/DivulgaÇão)


Câncer de pele mais raro, o melanoma chama a atenção pela maior gravidade e pelo forte potencial metastático, a habilidade de se espalhar para outras partes do corpo. Cientistas da Espanha identificaram, em experimentos com ratos, a proteína que controla essa disseminação perigosa. Detalhada na edição desta semana da revista Nature, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de um tratamento que consiga bloquear a proteína e, consequentemente, evitar a metástase.

Trata-se da Midkine, que é secretada pelo próprio câncer antes de se transportar para uma parte diferente do corpo e iniciar ali a formação de um tumor maligno. Em observações subsequentes em humanos, os pesquisadores detectaram que níveis elevados da mesma proteína nos linfonodos de pacientes com câncer de pele eram preditivos de resultados ;significativamente piores;. ;Esses resultados indicam uma mudança de paradigma no estudo da metástase do melanoma;, ressaltou Marisol Soengas, do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer em Madri e coautora do estudo.

Acreditava-se que o melanoma preparava os órgãos que pretendia colonizar ativando o crescimento dos vasos linfáticos transportadores de fluidos, como os linfonodos. Porém, a remoção dos linfonodos próximos a esse câncer de pele não evita a metástase. A pesquisa espanhola traz uma possível resposta a esse problema. ;Quando esses tumores são agressivos, eles agem a distância muito antes do que se pensava;, disseram os autores, em comunicado.

Medicamento

Nos experimentos, a Midkine se transportou diretamente para o novo local do câncer independentemente da formação de vasos linfáticos em torno do tumor original. Quando a proteína foi inibida em ratos com tumores, a metástase foi bloqueada. ;Na Midkine encontramos uma possível estratégia que merece ser considerada para o desenvolvimento de medicamentos;, reforçou Soengas. A equipe não conseguiu descobrir se a proteína é transportada através do sangue, da linfa ou de ambos.

Em comentário publicado na Nature, Ayuko Hoshino e David Lyden, da universidade Weill Cornell Medicine (EUA), avaliaram que o estudo forneceu ;percepções necessárias; para a predição da metástase e que ;pode abrir uma porta para estratégias de diagnóstico e terapêuticas que visam lidar com metástases antes de elas terem a chance de surgir;.

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