Como o cérebro ajuda o macho alfa

Como o cérebro ajuda o macho alfa

postado em 14/07/2017 00:00
No reino animal, as competições ocorrem frequentemente entre as espécies. Essa luta pelo poder instigou especialistas da China a descobrir como o cérebro trabalha antes, durante e depois dela e como a influencia. Para isso, analisaram o cérebro de ratos enquanto lutavam e identificaram um circuito neural que pode ser o responsável pela dominação social exercida pelos animais em momentos de conflito. Os achados foram publicados na última edição da revista americana Science e poderão, segundo os autores, ajudar no desenvolvimento de pesquisas para o tratamento de distúrbios psiquiátricos em humanos

Como ponto de partida, os cientistas resolveram estudar minuciosamente um fator que influencia a hierarquia no reino animal identificado em pesquisas anteriores. ;O domínio social pode ser reforçado por um fenômeno conhecido como efeito vencedor. Segundo ele, os animais aumentam a probabilidade de vitória após terem obtido ganhos anteriores. No entanto, o mecanismo neural que medeia esses fatores intrínsecos e extrínsecos ainda é mal compreendido;, conta ao Correio Hailan Hu, supervisora do estudo e pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang, na China.

No experimento, os cientistas analisaram camundongos enquanto eles competiam entre si e analisaram fatores como impulso, resistência e retirada. Ao mesmo tempo, monitoraram uma área cerebral chamada córtex pré-frontal dorsomedial, que já havia sido associada a comportamentos de dominação social em investigações anteriores. O monitoramento mostrou que um subconjunto particular chamado MDT-dmPFC ficou mais ativo durante os comportamentos de impulso e resistência.

Aplicações futuras

Na segunda etapa do experimento, os pesquisadores usaram uma droga para inibir em ratos que haviam estabelecido dominação esse subconjunto de neurônios de dominância. Em poucas horas, os roedores se envolveram em empurrões significativamente menores e recuaram da luta com mais frequência. Em seguida, os investigadores usaram a optogenética para estimular os neurônios do mesmo circuito neural, o que fez com que os animais retomassem o desempenho durante as competições.

O procedimento induziu instantaneamente os roedores a vencer adversários anteriormente dominantes com uma taxa de sucesso de 90%, sem afetar o desempenho motor ou o nível de ansiedade. ;Através desse trabalho, identificamos, pela primeira vez, o circuito MDT-dmPFC como um substrato neural importante, que medeia os fatores intrínsecos (força mental) e extrínseca (força física) para a determinação da hierarquia social e, dessa forma, ligando ele ao ;efeito vencedor;;, detalha Hu.

Para a equipe, os resultados poderão ajudar também em avanços na área de pesquisa médica. ;A falta de impulso social e de competitividade são marcas registradas de muitos transtornos psiquiátricos e impedem que indivíduos percebam seu potencial. Por isso, acreditamos que esses resultados surgem como uma luz nessa área e podem ajudar futuramente em tratamentos que corrijam esses defeitos motivacionais;, ressalta a pesquisadora.


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