360 Graus

360 Graus

por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 09/09/2018 00:00
 (foto: Jane Godoy/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Jane Godoy/Esp. CB/D.A Press)


Visitei, vi e me apaixonei

Na capital e no interior mineiros, em agosto, uma série de eventos importantes deixaram um grupo de brasilienses fascinados com o que viram.

Não só o maravilhoso museu a céu aberto Inhotim, como também a mostra de carros e relógios antigos de Rúbio Fernal Ferreira, em Carmo da Mata, e a fazenda de café dele. Lá tivemos oportunidade de conhecer o moderníssimo maquinário e todo o processo de colheita, secagem e moenda de um café da melhor qualidade. Fomos submetidos a um momento de degustação e identificação dos vários tipos de café, o que, para todos nós, foi inédito, curioso e cultural até.

Depois, de volta a Belo Horizonte, nosso anfitrião fez questão de nos levar ao Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, criação dos arquitetos Jô Vasconcellos e Rafael Yanni, com consultoria de José Augusto Nepomuceno, artífice da Sala Minas Gerais. Pertence à Codenge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais).

Por fora, ao chegar, já percebemos a grandeza da edificação e pudemos avaliar o que nos esperava lá dentro. No foyer da sala de concertos, chapas perfuradas, pintadas de vermelho camuflam a casa de máquinas de ar condicionado. Nas chapas estão estampados desenhos/grafites de espécies de pássaros oriundos de Minas Gerais.

A sala Minas Gerais, para concertos, com 1.493 lugares, inaugurada em 2015, por Fernando Pimentel, foi projetada e construída especialmente para servir como sede da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, uma orquestra de padrão internacional. Nos deixou em estado de êxtase!




Nos sentamos em maravilhosas poltronas em três tons de azul e, como se combinássemos, pendemos as cabeças para trás, observando, em silêncio, toda aquela maravilha arquitetônica, com uma acústica programada por especialistas competentes.

Foi quando meu pensamento voou para Brasília, para o nosso tão sonhador e idealista maestro Claudio Cohen, para a nossa linda e esforçada Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro e, por que não?, para o nosso tão sofrido e abandonado Teatro Nacional.

O brilho e o encantamento do passeio foram empanados pelos meus pensamentos e lembranças, acrescidos dos comentários e lamentos de nossos companheiros de viagem.

Ao mesmo tempo em que, mineira como sou, senti o maior orgulho daquilo que vimos em Belo Horizonte, o desejo frustrado de sentirmos o mesmo orgulho da cidade que escolhemos para ser o berço de nossa família, nos deixou cabisbaixos e descrentes sobre o destino de nosso teatro. Resta-nos ter fé e esperança em dias melhores.

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