Visto, lido e ouvido

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Desde 1960

Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 14/09/2018 00:00
Baixa escolaridade e desigualdade de renda

Possuir competências exigidas na vida profissional, principalmente aquelas requeridas por um mercado de trabalho em constante mudança e em que a tecnologia é um fator cada vez mais presente, é apenas uma das condições mínimas para se estabelecer hoje uma ponte segura entre o ensino e o emprego. O laço que une empresas e escolas tem sido, desde muito tempo, um dos elementos que explicam, em grande parte, o sucesso dos países desenvolvidos tanto na qualidade do ensino quanto nos altos índices de emprego e absorção de mão de obra qualificada.

A escola é, por sua origem, um espaço de integração plena do cidadão à vida econômica de um país. Daí, a razão de os investimentos feitos corretamente em educação resultarem na melhoria dos índices econômicos de um país. Essa é uma das fórmulas mais conhecidas e testadas pelos países do primeiro mundo. Obviamente, não se trata aqui de preparar mão de obra apenas para girar a máquina do Estado e das empresas, transformando cidadãos em robôs sem autonomia, mas de garantir que o indivíduo tenha as ferramentas intelectuais corretas para sobreviver de forma digna, seja ele empregado, seja empresário, dono de suas vontades, seja senhor de seu próprio talento.

Estudo elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 46 países, demonstra que mais da metade dos jovens brasileiros ou 52% da população entre 25 e 64 não concluíram o ensino médio. O estudo intitulado Um Olhar sobre a Educação ressalta que essa realidade está associada, de forma clara, com a maior desigualdade de renda, quesito em que o Brasil aparece como segundo colocado, atrás só da Costa Rica.

No Brasil, o número de pessoas que não cursaram o ensino médio chega a ser mais que o dobro da média da OCDE. É preciso destacar que o ensino médio é o mínimo de escolaridade exigida para ascensão social e econômica na maioria das sociedades modernas. Especialistas no tema chamam a atenção para o fato de que os indivíduos sem essa graduação média, quando empregados, além de receberem os menores salários, demonstram menores competências cognitivas, como habilidades motora, atenção, memória e outras.

Nesse caso, o fator complicador é que o alto índice de repetência e a grande evasão escolar, aliados à falta de atratividade da escola, principalmente no ensino médio, contribuem para o quadro desolador. Estudos recentes sobre esse mesmo tema revelam que apenas metade dos estudantes que ingressaram no ensino médio conseguiram concluir essa etapa nos três anos exigidos.

Para alguns pedagogos, o problema começa ainda no ensino básico, que não consegue preparar adequadamente os alunos para a etapa seguinte, criando um gargalo de difícil transposição. Segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2017 mostra que sete em cada 10 alunos do terceiro ano do ensino médio apresentam níveis insuficiente em português e matemática.

No Distrito Federal, dos jovens que concluíram o ensino médio, 33% chegam às universidades, contra 8% no estado do Maranhão. Essa imensa desigualdade regional é também um fator a se levar em conta nos problemas relativos ao ensino médio. A medida em que ascende nos níveis de educação, mais os percentuais de jovens nas escolas decrescem. No Brasil, só 17% dos jovens entre 24 e 34 anos chegam às universidades. Mesmo destinando 5% de PIB à educação, o Brasil continua na rabeira quando o assunto é educação, do básico à universidade. O problema não são exatamente os recursos, mas de correta aplicação e gestão adequada, além de problemas antigos, como a corrupção e a malversação do dinheiro, perdido entre os descaminhos burocráticos e a incompetência marota de nossos gestores.


A frase que foi pronunciada

; No dia que a universidade me deu um diploma e uma ciência que estava longe
de carregar no cérebro, confesso que me senti ao mesmo tempo enganado e orgulhoso.;

Memórias póstumas de Brás Cubas



Honra e mérito
; Mestre Woo continua na Praça da Harmonia como professor de Tai Chi Chuan. Aí está um estrangeiro que mudou a vida de muita gente na capital do Brasil, trazendo paz de espírito e mente mais evoluída.

Artesanato
; A partir do próximo dia 20, uma oficina interessante para os brasilienses. Rose Mendes comandará as aulas de artesanato flor do cerrado e Juão de Fibra, em novembro, ministrará as aulas de trançado em fibras. Mais informações pelo email brasiliaflordocerrado@gmail.com.


História de Brasília
Usando métodos próprios, o comissário conseguiu diminuir os crimes praticados. Não espanca, e, quando aparece alguém que espancou a esposa, ele veste-lhe uma saia e blusa, decotada e extravagante e manda o valentão dar uma voltinha pela cidade. (Publicado em 29/10/1961)

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