Republicano sugere queda de Maduro

Republicano sugere queda de Maduro

postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Juan Barreto/AFP )
(foto: Juan Barreto/AFP )

Além de anunciar sanções à cúpula do poder na Venezuela (leia ao lado), o governo norte-americano pareceu acenar, ontem, com o aval a um eventual golpe militar contra Nicolás Maduro. ;É um regime que, francamente, poderia ser derrubado muito facilmente pelos militares, se os militares decidirem fazer isso;, declarou o presidente norte-americano, Donald Trump, durante a primeira reunião com o colega colombiano Iván Duque. Ele frisou que o governo de Maduro ;é perigoso para a segurança de seu povo;. ;Já viram como os militares se dispersaram quando escutaram uma bomba explodir sobre suas cabeças. Esses militares estavam se resguardando. Isso não é bom;, alertou Trump, em referência ao suposto atentado sofrido por Maduro em 4 de agosto, enquanto assistia a uma parada militar em Caracas.

Um dos principais líderes da oposição venezuelana no exílio, o ex-prefeito de Caracas e preso político foragido Antonio Ledezma disse ao Correio que Trump apelou às Forças Armadas da Venezuela para recuperar o Estado de direito, ;violentado pela ditadura;. ;Não estamos falando de um movimento golpista, mas da atuação das forças armadas para restabelecer o sistema judicial e de governabilidade, a fim de que as instituições autônomas recobram o seu espírito democrático;, comentou, por telefone. ;No meio militar, há gente disposta a recuperar a democracia. Muitos oficiais se mostraram rebeldes e, hoje, estão pagando pelas consequências dessa coragem. Há dezenas de militares presos, e muitos são submetidos a uma perseguição por parte de grupos da inteligência cubana que operam na Venezuela.;

Corte de Haia
Durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, outros líderes abordaram a crise humanitária provocada pelo regime de Maduro. Em um discurso de 11 minutos, o presidente argentino, Mauricio Macri, explicou que, ;ante a gravidade da situação dos direitos humanos;, Argentina, Colômbia, Chile, Peru e Paraguai decidiram pedir ao Tribunal Penal Internacional (em Haia, Holanda) que considere ;os crimes de lesa humanidade da ditadura venezuelana;.

O presidente equatoriano, Lenín Moreno, defendeu uma ;ação continental; pela Venezuela e acusou implicitamente Maduro por causar ;a maior diáspora da história; da América. O brasileiro Michel Temer, por sua vez, sublinhou a acolhida dos milhares de venezuelanos que chegaram ao Brasil ;em busca de condições dignas de vida;. De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 1,6 milhão de venezuelanos emigraram para nações vizinhas, nos últimos três anos. (RC)

Washington impõe restrições à primeira-dama venezuelana
O Tesouro dos Estados Unidos impôs, ontem, sanções contra o entorno do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, incluindo a primeira-dama, Cilia Flores (foto); o líder chavista Diosdado Cabello; a vice-presidente, Delcy Rodríguez; o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez; e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López. ;Nós continuaremos impondo encargos financeiros contra aqueles responsáveis pelo trágico declínio da Venezuela e as redes e os testas de ferro que utilizam para esconder sua riqueza ilícita;, declarou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steve Mnuchin. Maduro afirmou, ontem, estar disposto a conversar, ;cara a cara;, com Donald Trump. A alusão à primeira-dama enfureceu Maduro. ;Não se metam com Cilia. Não se metam com a minha família. Não sejam covardes! (;) Seu único crime é ser minha esposa. Como não podem com Maduro, vão contra Cilia. E tampouco podem contra Cilia, porque Cilia é uma mulher aguerrida;, afirmou o venezuelano, que não viajou a Nova York alegando preocupações com sua segurança.


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