Trevas venezuelanas

Trevas venezuelanas

Rodrigo Craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 13/03/2019 00:00
Um dia de blecaute traz transtornos imensos. Imagine, então, o cidadão enfrentar mais de 124 horas de apagão. Isso em meio a uma catástrofe humanitária, com uma inflação astronômica, desabastecimento no comércio e fome. Muitos venezuelanos recorrem às fétidas águas do Rio Guaire para cozinhar alimentos, tomar banho e lavar roupas. Sem energia, os postos de combustível não funcionam, as cidades praticamente param. A Venezuela vive o seu calvário. Quem não teve condições de abandonar o país se vê refém de um regime aferrado ao poder em nome de sua ;revolução bolivariana; e da disputa entre o Palácio de Miraflores e a oposição.

Na Venezuela, provavelmente a manipulação política e midiática ocorra de ambos os lados. Exemplo claro foi o vídeo divulgado pelo jornal The New York Times que responsabiliza manifestantes da oposição por incendiarem um caminhão com ajuda humanitária, na fronteira da Colômbia. Até então se imaginava que a Guarda Nacional Bolivariana tivesse ateado fogo para impedir o acesso do veículo.

O blecaute sem precedentes que atinge a Venezuela desde a última quinta-feira é denunciado pelo presidente Nicolás Maduro como uma guerra elétrica encampada pelo ;imperialismo;. O regime garante que atos de sabotagem levaram ao colapso o sistema nacional elétrico. Os parlamentares da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, asseguram que o desastre é fruto da má gestão e da corrupção entremeada no regime. Talvez as duas suspeitas sejam plenamente factíveis. Mas também é fato que urge uma solução definitiva para restabelecer a ordem e a estabilidade na Venezuela. A população não pode ser massa de manobra entre governo e oposição.

Com dois presidentes, dois parlamentos e dois tribunais supremos, o país, imerso em trevas, vive um estado de exceção imposto pela oposição e ignorado pelo regime. É inadmissível que o dono das maiores reservas petrolíferas do planeta imponha à população a penúria e a miséria. A distribuição de ajuda humanitária é de vital importância para aliviar o sofrimento dos venezuelanos. Assim como o bom senso e a disposição ao diálogo entre as forças políticas em busca de solução rápida e definitiva.

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