Oportunidade de negócios

Pensar em imóveis com melhor acessibilidade não deve ser apenas para cumprir a norma federal, mas uma preocupação do empreendedor em beneficiar um maior número de pessoas

Luciane Evans
postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press
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(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press )
;Estamos avançando;, garante, otimista, o presidente e fundador da Associação dos Deficientes em Contagem, Maurício Alves Peçanha. Cadeirante desde 2008, Maurício diz que há, na cidade, muitas coisas que precisam melhorar, tanto nos imóveis públicos quanto nos privados. ;As construtoras têm que compreender que, além dos portadores de deficiências, a população está envelhecendo e tem limitações da idade.; Para especialistas, a realidade apontada por Maurício significa muito mais do que cumprir normas, mas uma oportunidade de negócio para o mercado imobiliário.

No ano passado, conforme o vice-presidente da Rede Netimóveis Contagem, Leandro Barroso, um cliente cadeirante procurou a rede para comprar uma casa em Contagem que pudesse ser adaptável à sua condição. ;Buscamos um imóvel para o qual as adaptações não teriam um custo tão alto;, lembra. É nesse cenário que Leandro acredita que se uma construtora abraçar a causa vai atender uma demanda grande. ;Muitos que precisam dessas facilidades serão atraídos a esses imóveis. É uma boa oportunidade de negócio;, diz.

É o que defende também o arquiteto, especializado em acessibilidade, Eduardo Ronchetti. ;A acessibilidade hoje no Brasil representa, sim, uma das grandes prioridades. Isso não é só devido ao assunto ser um dos objetivos do milênio da Organização das Nações Unidas, como do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que estabelece prazos de adaptação para cidades com mais de 20 mil habitantes, seguindo a norma de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 9050. Todos os novos condomínios devem apresentar a acessibilidade desde o projeto para obter o alvará, caso contrário, poderão sofrer penalidades.;

Na opinião de Ronchetti, a melhor acessibilidade está aumentando de forma gradativa, pois além de ser uma obrigação legal, ;é uma ótima estratégia comercial para atrair uma grande fatia de consumidores, de mais de 45 milhões de pessoas no país.; Isso sem contar os atuais e futuros idosos. ;O custo presente desde a elaboração do projeto é pouco se comparado com o valor das adaptações feitas no imóvel pronto;, observa.

Segundo a gestora de projetos da MRV Engenharia, Juliana Lopes, as normas variam entre as prefeituras. ;Muitas não fazem nem menção a isso. É preciso considerar que a pessoa com deficiência pode não ser o morador, um parente ou visita ao imóvel. Então, as construções devem atender isso.; Para ela, o Brasil está engatinhando nesse tema. ;Há muitas prefeituras focadas só no cadeirante, mas temos que pensar que há pessoas com problemas de visão, audição também.;

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